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sábado, 22 de setembro de 2012

Pesquisa Liga Idade Avançada dos Pais a Risco de Autismo e Esquizofrenia nos Filhos


Homens mais velhos têm maior risco do que os jovens de conceber um filho com autismo ou esquizofrenia, por causa de mutações aleatórias mais numerosas que acumulam. Um estudo publicado nesta quarta (22) na revista "Nature" é o primeiro a quantificar esse efeito a cada ano. A idade da mãe não teve influência nesses transtornos, segundo a pesquisa.

Especialistas afirmam que o achado não é motivo para desistir da paternidade tardia. O risco para um homem com 40 anos ou mais é de 2% no máximo e há outros fatores biológicos desconhecidos que podem influenciar o desenvolvimento de autismo e esquizofrenia nos filhos.
O novo estudo dá apoio ao argumento de que o crescimento dos diagnósticos de autismo nos últimos anos se deve em parte ao aumento da idade dos pais, fator que poderia responder por até 30% dos casos.
resultado também contraria o entendimento de que a idade da mãe é o fator mais importante para o desenvolvimento de transtornos do desenvolvimento em crianças. O risco de anormalidades cromossômicas, como síndrome de Down, aumenta quando a mãe é mais velha.
Mas quando se fala de problemas psiquiátricos e de desenvolvimento, o risco genético vem do espermatozoide, não do óvulo, segundo a pesquisa.
CALCULANDO O RISCO
Trabalhos anteriores já haviam sugerido essa relação, mas o novo estudo quantifica o risco pela primeira vez, calculando quanto ele se acumula a cada ano.
Em média, uma criança nascida de um pai de 20 anos tem 25 mutações aleatórias que podem ser atribuídas ao material genético paterno. A cada ano a mais do pai, há duas mutações extras. Filhos de homens de 40 anos têm 65 mutações.
O número médio de mutações vindas da mãe foi de 15, independentemente da idade.
"Esse estudo dá uma das primeiras evidências sólidas de um real aumento dos números do autismo", afirmou Fred Volkmar, diretor do Centro de Estudos da Criança da Escola de Medicina de Yale, não envolvido com a pesquisa.
O trabalho, liderado pela empresa islandesa deCODE Genetics, analisou material genético do sangue de 78 trios de pai, mãe e filho. Eles se concentraram em famílias em que pais sem sinais de doença mental conceberam crianças que desenvolveram autismo ou esquizofrenia.
Essa abordagem permitiu aos cientistas isolar novas mutações em genes da criança, que não estão presentes nos pais.
A maioria das pessoas tem esse tipo de mutação, que ocorre de forma espontânea na concepção ou perto dela. Em geral, as alterações são inofensivas. Mas estudos recentes sugerem que muitas dessas mudanças podem aumentar muito o risco de autismo e esquizofrenia.
DIFERENÇAS ENTRE PAI E MÃE
As diferenças entre o lado materno e paterno são esperadas. Os espermatozoides são formados a cada 15 dias, enquanto que os óvulos são estáveis. As cópias contínuas levam a erros no DNA.
Mesmo assim, quando os pesquisadores removeram o efeito da idade paterna, não encontraram diferenças no risco genético entre os que tinham diagnóstico de autismo ou esquizofrenia e um grupo-controle que não teve.
"É incrível que a idade do pai seja responsável por todo esse aumento de risco, dada a possibilidade dos fatores ambientais e a diversidade da população", afirmou Kari Stefansson, líder do estudo. "Também é surpreendente o pouco efeito da idade da mãe."
Ela afirmou que faz sentido que essas mutações tenham um papel importante em problemas cerebrais. Ao menos 50% dos genes ativos têm alguma função no desenvolvimento neural, então alterações aleatórias têm mais chance de afetar o cérebro do que outros órgãos.
Essas mutações podem responder por 15% a 30% dos casos de autismo e talvez esquizofrenia. Os demais casos seriam resultado de outras mutações hereditárias e fatores ambientais ainda em estudo.
INCONSISTÊNCIAS E IMPLICAÇÕES
Mas a idade do pai sozinha não explica o aumento nos casos de autismo. Nos EUA, por exemplo, a taxa de nascimento de filhos com pais maiores de 40 anos aumentou mais de 30% desde 1980, mas os diagnósticos de autismo foram multiplicados por dez, chegando a um caso por 88 crianças, segundo os dados mais recentes.
Não há dados mostrando um aumento nos diagnósticos de esquizofrenia no período.
Se os resultados desse estudo se confirmarem e forem estendidos a outros problemas mentais, a coleta e o congelamento de espermatozoides de homens jovens para uso futuro pode se tornar uma decisão individual vantajosa, segundo Alexey Kondrashov, da Universidade de Michigan, que assina um editorial sobre o estudo na "Nature".
O professor Evan Eichler, que ensina ciências do genoma na Universidade de Washington, relativiza. "Alguns homens podem ver isso e pensar: 'Quer dizer que vou precisar ter todos os meus filhos enquanto for jovem e bobo?' Claro que não. A maioria dessas mutações não causa nada e há muitos homens de 50 anos com filhos saudáveis."
Fonte: Bol Sáude

Não ter Conta no Facebook aponta Distúrbios Mentais, afirma Psicólogo


Com a atual onda de redes sociais, é raro encontrar alguém que não tenha um perfil no Facebook , a maior rede social do mundo, com mais de 950 milhões de usuários cadastrados. Mas o psicólogo alemão Christopher Moeller acredita que não ter uma conta na rede social é mais do que simples descaso. É um apontamento de distúrbios mentais.

Para exemplificar seu argumento, o psicólogo pegou os casos de James Holmes (matou 12 pessoas em um cinema nos EUA) e de Anders Brevik (matou 77 pessoas na Noruega). Holmes tinha um cadastro apenas no site de encontros Adult Friend Finder. Brevik tinha uma conta no MySpace . Moeller acredita que o fato de ambos não terem contas no Facebook indique um comportamento estranho.
Ele contou ao jornal alemão Der Taggspiegel que o isolamento online pode indicar uma tentativa de esconder algumas ações feitas pela pessoa, além de indicar a falta de amigos na vida real. A única ressalva do psicólogo é que essa ligação só pode ser feita entre jovens, pois é comum pessoas com mais idade estarem acostumadas a viver sem redes sociais.
Fonte: Daily Mail

MEC faz Parceria com Conselho Federal de Psicologia para Combater Violência nas Escolas


Para enfrentar a violência nas escolas brasileiras, o Ministério da Educação assinou nesta quinta-feira, 20, uma parceria com o Conselho Federal de Psicologia. A parceria prevê um estudo sobre violência nas escolas, elaboração de materiais didáticos e formação de professores para o combate à violência no ambiente escolar.

De acordo com o ministro Aloizio Mercadante, oito universidades também vão colaborar com o projeto. Entre os temas que serão trabalhados dentro das escolas estão enfrentamento às drogas, gravidez precoce, homofobia, racismo, discriminação, bullying e bullying eletrônico (feito por meio das redes sociais).
“Temos estimado em torno de 8 mil jovens, meninos e meninas, que voltam para casa com todo tipo de constrangimento e que muitas vezes são vítimas de bullying na escola. Precisamos tratar esses temas com responsabilidade e cuidado, mas enfrentá-los no sentido de respeito à diversidade, ao outro, a valores como os direitos humanos. Os professores e alunos também precisam aprender a solução dos conflitos por meio de diálogo”, disse o ministro.
Segundo Mercadante, o trabalho de campo será feito em todo o País. “Vamos trabalhar em todas as regiões do País, nos vários níveis do processo educacional - com pais, alunos e professores - e elaborar materiais pedagógicos, programas de prevenção e subsídios para aprimorar a prática pedagógica e criar uma escola mais atrativa, feliz, respeitosa e pacífica.”
O projeto, de acordo com o ministro, terá início em breve. “Em duas semanas estaremos iniciando o processo de trabalho, mas eu diria que o desenvolvimento pleno desse trabalho é para 2013.”
A expectativa do ministro é que, com esse projeto, os “professores tenham mais subsídios e melhores condições para lidar com esses desafios”. Os novos materiais didáticos, voltados para o combate da violência nas escolas, estará disponível logo após a pesquisa de campo ser finalizada. Também será desenvolvido um trabalho de formação de professores para trabalhar com esses temas nas escolas.
Para Toni Reis, presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT) e conselheiro do Conselho Nacional LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros), a parceria é positiva.
“Vejo com bons olhos a ampliação dessa parceria. É fundamental não só para a questão da homofobia como também para a que envolve drogas, bullying etc. É fundamental que a escola seja um lugar seguro para que as pessoas possam estudar, não sejam discriminadas e não sofram a violência que muitas vezes faz parte do cotidiano escolar”, falou.
Segundo Reis, a escola é um dos ambientes mais importante para que esse trabalho seja desenvolvido. “A escola é um momento em que as pessoas convivem e as pessoas têm que aprender a respeitar o outro e esse outro pode ser evangélico, católico, ateu, de uma religião africana, judeu ou indígena, mas as pessoas têm que aprender a respeitar o ser humano como um todo”, disse.
urante a 2.ª Mostra Nacional de Práticas de Psicologia, que ocorre até o dia 22 no Anhembi, em São Paulo, o presidente do conselho, Humberto Verona, anunciou também uma parceria entre o órgão e a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República para ajudar na criação de comitês de combate à homofobia em todos os estados brasileiros.
Fonte: Estadão.com

A Hospitalização Infantil


Por: SILVA, E. A
Resumo: A doença e a hospitalização abalam consideravelmente o desenvolvimento emocional da criança. A presente pesquisa tem como objetivo promover uma breve reflexão sobre a hospitalização infantil por meio de uma revisão bibliográfica. Refletindo sobre a internação infantil vê-se a importância de se ter nas dependências do hospital brinquedotecas para que assim, as crianças possam ter momentos de lazer, distração e oportunidades de se elaborar de maneira lúdica seus sofrimentos psíquicos.
Palavras-chave: hospitalização, criança, psicologia.

Introdução

A doença e a hospitalização abalam consideravelmente o desenvolvimento emocional da criança. No que diz respeito à criança doente, deve-se ter uma atenção especial, pois é no desenvolvimento infantil que se estabelece e se constrói a personalidade do indivíduo, qualquer alteração em seu decurso pode acarretar conseqüências na vida adulta.
A criança que é hospitalizada tem dificuldade de compreender o que se passa com ela, de assimilar a doença e os procedimentos médicos necessários para o tratamento, o psicólogo então tem como função auxiliar a criança na compreensão de sua doença e elaboração dos sentimentos que são incitados como o medo, angústia, stress, sentimento de culpa, rejeição e os comportamentos regressivos.
A família também sofre pressão geradora de sofrimento psíquico, necessitando de atendimento psicológico juntamente com a criança que está hospitalizada.
Em suma, esta pesquisa tem como objetivo promover uma breve reflexão sobre a hospitalização infantil por meio de uma revisão bibliográfica.

Desenvolvimento 

A instituição hospitalar surgiu pela necessidade de separar as pessoas doentes dos demais, por supostamente acarretarem danos a sociedade. Segundo Campos (1995) os hospitais tinham como fim a prática do cristianismo onde a caridade era o ponto central. O hospital até o Século XVIII não era visto como um instrumento terapêutico, os sujeitos que ali se encontravam não recebiam tratamento visando a cura, para muitos era o local em que se esperava a morte. Como nos aponta Focault, era um hospital-exclusão.
O hospital era essencialmente uma instituição de assistência aos pobres. Instituição de assistência, como também de separação e exclusão. O pobre como pobre tem necessidade de assistência e, como doente, portador de doença e de possível contágio, é perigoso. Por estas razões, o hospital deve estar presente tanto para recolhê-lo, quanto para proteger os outros do perigo que ele encarna. O personagem ideal do hospital, até o século XVIII, não é o doente que é preciso curar, mas o pobre que está morrendo. (FOUCAULT, 1979. p. 101).
O hospital nessa época era regido por leigos religiosos que ofertavam assistência, alimentação e além disso cuidadavam do lado espiritual de cada sujeito, a salvação de suas almas. A função médica nesse período não aparecia no hospital, a prática médica era individualista e se baseava somente nas teorias e na medicalização, focava-se no atendimento clínico. No entanto, a tranformação da organização hospitalar ocorreu quando se desfez essa imagem do hospital, o despindo de seu efeito negativo, reorganizando a desordem existente em relação as doenças e passando o médico a ser o detentor de poder na instituição e presença constante no hospital.
Ao longo dos tempos essa visão foi se modificando e hoje o hospital tem como função proporcionar a cura, tratamento e prevenção das doenças a população que necessite de intervenções médicas e assistência á saúde. Entretanto, ainda é forte essa concepção imagética do hospital, visto ainda como algo ruim e amedrontador, principalmente para as crianças que estão em fase de desenvolvimento e que ainda não são capazes em sua totalidade de compreender o real motivo de estarem neste local.
Nos dias atuais, efetivamente, quando se detêm um olhar para a questão da criança que está em sofrimento físico e, consequentemente esta passa a ser internada, “esquece-se” do sofrimento psíquico em que a criança vivencia, devido ao fato de que a preocupação maior dos profissionais da saúde é pela doença da criança, o tratamento e a cura. Os médicos ainda não estão preparados para a escuta dos pacientes e quando se remete ao contexto  infantil essa atenção é primordial.
Questões de ordem emocional e existencial geram irritação entre os técnicos dos serviços de saúde, que tendem a interpretá-las não como problemas de saúde a serem atendidos, mas como resultado da atuação do paciente que não “coopera”. (CAMPOS, 2010, p. 52)
O impacto da hospitalização permeia o imaginário infantil podendo acarretar consequências negativas. Como nos aponta Campos (1995), o sujeito perde sua identidade pessoal, pois a partir do momento em que é internado, este passa a ser mais um número de prontuário, ou até mesmo o indivíduo que tem determinada doença.
A hospitalização é uma experiência que não passa despercebida para o paciente que permanece internado e muito menos para seus familiares e/ou acompanhantes. E quando o assunto é internação de crianças, a reflexão deve ser redobrada, uma vez que a doença e o processo de hospitalização podem comprometer sua integridade física e seu desenvolvimento mental. (MONDARDO, 1997 apud  DIASBAPTISTA , BAPTISTA, 2010, p.179).
Para a criança o hospital é um local visto como hostil, amedrontador e punitivo, por ter regras e proibições que a mantêm em situação passiva diante dos procedimentos hospitalares. Muitas crianças sofrem com a necessidade de intervenções médicas e hospitalares e a aceitação por elas é de difícil compreensão. Segundo Altamira (2010), a criança doente que está fisicamente enfraquecida, sentido dores, tende a ter uma aceitação melhor do processo de hospitalização a medida que lhe traga a diminuição de seu sofrimento físico, aliviando sua dor.
Enquanto que, as crianças que são internadas sem nada sentir, encaram esse processo como hostil, tem mais dificuldade de compreender e aceitar a doença. Ferro (2007) afirma que elas culpam a família e os médicos por suas dores e por estarem naquela situação.
Como citam Cabral e Nick (2006) a infância é o período em que o sujeito está quase que totalmente dependente dos cuidados parentais, e no hospital, a criança é privada do convívio social e familiar passando a ter rotinas duras, e também não tendo explicações sobre os procedimentos médicos e aos exames em que é submetida e, concomitantemente, o indivíduo se defronta com um ambiente carregado de emoções, histórias e casos dos mais diferentes tipos e “sentimentos como vida e morte, cura e sofrimento, qualidade de vida plena e limitada, alegrias e tristezas, entre outros” (DIAS, BAPTISTA; BAPTISTA, 2010, p.179). Sendo necessária em muitos casos a intervenção do psicólogo junto à criança e principalmente a família que sofrem pressão geradora de sofrimento psíquico.
A criança quando hospitalizada incita muitas emoções e sentimentos muitas vezes não vivenciados anteriormente, como o medo, sentimento de abandono, a insegurança, o stress, necessitando assim de um apoio ou até mesmo de intervenção psicológica para que essas emoções sejam canalizadas para algo positivo, não acarretando-lhe conseqüências negativas (FERRO, 2007).
Como enunciado por Moreira e Macedo (2009), é na infância que se configura as primeiras relações sociais, ou seja, na família e na escola, no caso de crianças hospitalizadas essa socialização é importantissíma pois é através dela que a criança passa a compreender e elaborar os mecanismos para enfrentar a doença, trazendo ressonâncias para a vida da criança. Enquanto as crianças constroem nas escolas e ambientes familiares suas relações e interações sociais, a criança doente constrói no ambiente hospitalar seu local de sociabilidade. É importante que o tratamento seja feito de modo a não afetar seriamente suas construções a respeito de si, da doença e das pessoas ao redor, por isso faz-se necessário que os profissionais da saúde saibam lidar com a subjetividade da criança e de sua família, dando respaldo necessário a elas.
Os profissionais da saúde costumam tratar o doente como objetos de estudos, tratando somente a doença e esquecendo-se do próprio paciente que fica á mercê de sua própria doença. Por isso faz-se necessário o programa de humanização da saúde, em que a relação com o paciente e sua subjetividade, seus direitos e valores tem de ser levados em consideração para que assim a facilitação da compreensão da doença e seu enfrentamento possam ser mais bem vivenciados.
A humanização do atendimento ao paciente internado supõe o respeito pela pessoa doente, o reconhecimento de que ele tem uma identidade, uma história, um lugar no mundo, que ele deve ser escutado e atendido nas suas queixas, que não são apenas orgânicas. (NIGRO, 2004, p. 30).
Segundo Lunardi, Lunardi e Backes (2006), os hospitais devem dar suporte,  reconhecer o trabalho  e investir na formação dos profissionais da saúde, valorizando a humanidade do trabalhador para que este valorize a humanidade do paciente e possam juntos encontrar caminhos para encarar o momento vivido. A ética é fundamental.
No filme Patch Adams – O amor é contagioso, Patch interpretado por Robin Williams, é um estudante de medicina revolucionário e inovador, que modifica o olhar para com os pacientes do hospital da universidade em que estuda. Uma  cena interessante que dá margem a uma curiosa investigação acerca do assunto se observa quando, Patch se fantasia de palhaço e no ambulatório de oncologia infantil, tenta evocar risos das crianças, destruindo a imagem de frieza e tristeza daquele ambiente e quebrando o silêncio assustador (Shadyac, 1998).
Muito mais do que cuidar da doença física, a atenção devotada ao paciente, a escuta de suas queixas e angústias são necessárias para que o tratamento tenha eficácia, o paciente necessita falar de sua doença e do que ela lhe acarreta, com as crianças isso ocorre também através das brincadeiras. ”Sem o brincar a criança perde uma das vias de expressão de suas emoções, perde o espaço no qual poderia estar repetindo situações traumáticas e também perde a possibilidade de elaborar esses traumas através dos jogos simbólicos”. (NIGRO, 2004, p. 75).
Através do brincar é possível ter acesso aos conteúdos inconscientes das crianças através da linguagem simbólica por elas emitidas, a observação e a escuta do psicológo se manifesta como instrumento essencial para entender as manifestações latentes que emergem da significação das representações inconscientes da criança em situação de vulnerabilidade. Como nos aponta Ferro (2007), é através do brincar que a criança externaliza seus medos, angústias, tristezas e ansiedades.
Diante disso, implementou-se a lei nº11.104/05 em que os hospitais que oferecem atendimento pediátrico deverão disponibilizar obrigatóriamente brinquedotecas em suas dependências.
Através de ambientes que proporcionem a criança o brincar e a interação espontânea com as demais crianças de sua idade ela irá compreendendo as fases de tratamento em que é submetida.Transformando assim, uma simples brincadeira em um instrumento terapêutico, capaz de potencializar e auxiliar na adaptação emocional da criança no contexto hospitalar, promovendo a qualidade de vida e reduzindo os aspectos que norteiam as variáveis negativas presentes no hospital.
Segundo Santos (1999) e Altamira (2010), é na infância que se estabelece e inicia todo o processo de sustentação de uma saúde mental satisfatória, sendo extremamente necessário ter um olhar especial a essa fase, pelo fato da criança estar vivenciando um momento de grande desenvolvimento, devendo ser bem orientado para que não lhe traga conseqüências negativas.

Considerações Finais

A criança quando está em sofrimento físico e consequentemente necessita ser hospitalizada, se vê diante de uma nova situação em que além do sofrimento causado pela doença, sofre também devido o afastamento familiar e social. Assim, a criança passa a experenciar sensações e sentimentos novos como o medo, stress e comportamentos regressivos.
Além do tratamento médico a criança e seus familiares necessitam também de atendimento psicológico, para que dessa forma possam ter uma melhor compreensão e adaptação da situação dolorosa que vivenciam.
O psicólogo como agente da promoção a saúde trabalha não só com a prevenção mas durante todo o tratamento da criança no hospital, no intuito de amenizar os estímulos estressores e também para que a permanência no hospital tenha além dos procedimentos médicos comuns, momentos que propiciem a criança lazer, distração e oportunidades de brincar favorecendo assim, a melhora no tratamento.


sexta-feira, 21 de setembro de 2012

É Melhor a Mãe Errar do que Seguir um Manual, Diz Psicanalista


Como criar filhos saudáveis num mundo em que a tecnologia substitui o contato humano e as famílias têm novas configurações, com separações e recasamentos?
Em entrevista à Folha, o psicanalista Leopoldo Fulgêncio, 52, fala da função materna hoje à luz da teoria de Donald Winnicott (1896-1971), psicanalista inglês criador do conceito de "mãe suficientemente boa". Pai de dois filhos e um enteado, Fulgêncio leciona na PUC de Campinas, interior de São Paulo.
Folha -- O que significa ser uma "mãe suficientemente boa" hoje?
Leopoldo Fulgêncio -- É aquela que, ao suprir as necessidades do filho, cria a possibilidade de ele ter fé na vida, nas pessoas. A função materna sempre foi cuidar. A matriz do amor é o cuidado, não ficar dizendo que ama e dando explicações sobre como as coisas devem ser.
Como lidar com o medo de errar? É melhor uma mãe que erre porque está empenhada em descobrir o seu jeito de fazer as coisas do que uma que acerte por causa de um manual. Ser mãe é muito complexo e o melhor jeito de saber como agir não é com uma cartilha. A mãe deve ser incentivada a ficar em contato com seus filhos e a agir de acordo com seus próprios sentimentos.
Quais são os desafios das novas famílias? Casais héteros ou homossexuais têm que lidar com as próprias ambiguidades para não passar os seus dilemas para os filhos. Seja qual for o problema a enfrentar, fingir que ele não existe não é a solução. Recomendo sempre a comunicação verdadeira. No caso de filhos pequenos, não faltam fábulas para ajudar a elaborar as questões das diferenças e das separações.
Qual é o impacto da tecnologia nas relações familiares? O problema é a medida: quando a tecnologia se sobrepõe, ela mata as relações. Os pais podem usar recursos tecnológicos [como mensagem de celular] para falar com seus filhos, mas isso não substitui a presença. É atribuição dos pais regular o uso da tecnologia porque os filhos não percebem o seu alcance.
Na adolescência, estar presente pode ser mais difícil... É preciso manter-se disponível para uma fase de intensas negociações --se vai ou não vai, a que horas sai, com quem etc. --, suportar brigas decorrentes disso e mostrar que, apesar delas, você continua ali. É normal que adolescentes se oponham aos pais. É uma questão de identidade.
E se o cuidado materno faltar ou falhar em alguma fase? A criança será prejudicada de muitos modos. Pode perder a fé no mundo, sentir muita dificuldade para ver o outro, para se relacionar, para aprender. Pode até perder o interesse pela realidade. Em casos graves, durante a fase inicial da vida, corre o risco de desenvolver autismo --essa era uma das hipóteses de Winnicott.
A maternidade, então, tem uma função social? Se o Brasil quer amadurecer, deve investir mais nas mães e na primeira infância. A mãe não pode fazer tudo sozinha. Precisa do apoio do pai dos filhos, da família e também de escolas, creches, licença-maternidade, enfim, de reconhecimento social.
Fonte: Folha.com

As Vivências Sexuais Pré-Genitais na Infância Ajudam a Compor o Imaginário em torno do Pênis


Símbolo de poder, domínio e virilidade, o pênis sempre ocupou posição de relevância na cultura de praticamente todas as civilizações, sendo inegável o fascínio que exerce sobre a humanidade desde os tempos mais remotos. As diversas representações sobre o órgão sexual masculino formaram um imaginário tão poderoso que ultrapassou o senso comum e tornou-se objeto de estudo da ciência.
 Elemento fundamental na construção da identidade masculina, a forma como o pênis é visto no contexto sociofamiliar e a percepção que o homem tem do valor atribuído a sua posse determinam o desenvolvimento de sua estrutura psicossexual. Para o jornalista americano David M. Friedman, o pênis é o órgão definidor do sexo masculino, pois constitui a mais evidente diferença física entre homens e mulheres. É a presença ou ausência dessa parte do corpo que, ainda no período da gestação, define não apenas o sexo, mas também como todos os demais passarão a interagir com a criança que está por vir. No caso do menino, grande atenção é dada a seus genitais desde a confirmação do sexo. Tal referência lança as sementes para que, no futuro, ele perceba que tem algo de muito valor: seu pênis. Já quando se trata de uma menina, não há interesse algum por seus genitais; ao contrário, seu sexo é identificado pela ausência do pênis. Segundo a teoria psicanalítica, o desenvolvimento sexual infantil ocorre em três fases: oral, anal e fálica. Antes de atingir a fase adulta ou genital, a criança passa por um período de latência, que se estende até a puberdade. Nas fases oral e anal não existe qualquer diferenciação no desenvolvimento de meninos e meninas, enquanto na fálica, por volta dos 3 anos de idade, há um direcionamento da libido para os genitais.
Nessa etapa as diferenças entre os sexos chamam muito a atenção das crianças e é fácil compreender por que, para elas, pode parecer natural que à menina falte algo em vez de ter um corpo diferente, pois, se o pênis é um órgão externo, de fácil visualização, a vagina caracteriza-se como uma parte interna e, consequentemente, não pode ser vista. De acordo com a teoria freudiana, a compreensão infantil é de que o homem tem algo que falta à mulher, sendo natural a associação de certa superioridade dele sobre ela. Ter pênis é entendido como atributo de valor dos meninos e elemento fundamental da identidade masculina. É na fase fálica que os modelos de relação entre homens e mulheres são organizados, e o menino (no caso, o futuro heterossexual, objeto deste artigo) tem no sexo oposto a obtenção de satisfação de seus desejos. O fato de a mãe ser responsável pela sobrevivência do filho e atender não apenas a suas necessidades fisiológicas, mas também afetivas, leva o menino a elegê-la como objeto de seu desejo. É por meio do contato com ela que o garoto tem as primeiras vivências afetivo-sexuais, alicerces para futuras relações com a figura feminina. É muito comum ouvirmos um filho dizendo ser o namorado da mamãe, concretizando, nessa fala, o desejo de ter a mãe só para si. Mas há um impedimento para a realização dessa fantasia infantil, pois essa mulher já tem outro em sua vida: o pai, como figura de autoridade, que impede o menino de ter a mãe como sua. Ao mesmo tempo que é amado e tido como modelo no qual o filho pode se espelhar, é também o grande rival, gerando sentimentos contraditórios de amor e ódio. O garoto deseja a mãe e quer eliminar seu rival, mas teme ser punido com a castração, configurando o que Freud denominou de complexo de Édipo, em referência à peça Édipo rei , de Sófocles (496-405 a.C.). Segundo a teoria psicanalítica, ao temer a castração, o menino reprime a atração sentida pela mãe, o que encerra, assim, a etapa fálica da sexualidade infantil.
Nesse caso, o garoto poderá identificar-se com a figura paterna e, no futuro, buscar para si uma mulher para amar, desejar e, quem sabe, constituir a própria família. No entanto, se essa etapa for assimilada de maneira negativa, o menino talvez se sinta castrado em sua masculinidade e inseguro quanto a sua capacidade de realizações no campo afetivo-sexual.
Todas as experiências sexuais infantis deixarão profundas marcas na memória, algumas conscientes, porém a maioria, inconscientes.

O Amor Romântico Prega Coisas Mentirosas, Diz Psicanalista


O amor. Um dia ele chega para todo mundo, acredite você leitor (leitora), ou não. Na contemporaneidade, o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, em seu livro “O Amor Líquido”, transforma a célebre frase marxista – “tudo que é sólido se desmancha no ar” – em ponto de partida para debater a fragilidade dos laços humanos e lançar o conceito de “líquido mundo moderno”.

Em síntese, o autor traz uma reflexão crítica de como esse mundo “fluido”, uma das principais características dos compostos líquidos, fragilizou os relacionamentos humanos. O sociólogo observa que o amor tornou-se, na sociedade moderna, como um passeio no shopping center – ícone do capitalismo – e como tal deve ser consumido instantaneamente e usado uma só vez, sem preconceito. É o que considera a sociedade consumista do amor.
Pois bem, é nesta linha fluida, sem preconceito e destarte liberal, com frases como “Ter parceiro único pode se tornar coisa do passado" e “Variar é bom, todo mundo gosta”, que a psicanalista e escritora Regina Navarro Lins, crítica do que considera “amor romântico”, lança os dois volumes do “O Livro do Amor” (Editora Best Seller, 364 páginas). Entre os seus dez livros, destaca-se também “A cama na varanda”.
Psicanalista há 39 anos, Lins acredita que as pessoas ainda sofrem muito por causa dos desejos, medos, culpas e frustrações. O Livro do Amor é um estudo que começa desde a pré-história, seguindo por todos os períodos da humanidade, até chegar à atualidade. “Descobri coisas muito interessantes, como que o amor é uma construção social, de que em cada época ele se apresenta de uma forma. Na Grécia era diferente da idade média”, avalia.
No século XX, o livro é divido em três partes. Para a psicanalista o que mudou o amor na contemporaneidade foram duas invenções: o automóvel e o telefone. “Pela primeira vez na história as pessoas puderam marcar encontro pelo telefone, mesmo com os moralistas defendendo que era uma indecência a voz do homem entrar pelo ouvido da mulher”, lembrou.
Regina Navarro Lins acredita que muito dos nossos comportamentos atuais tem origem em períodos históricos passados, como o “amor romântico”, surgido lá..., no século XII. “Eu aponto também as tendências de como o amor está se transformado. A repressão diminuiu, ainda bem. O sexo é da natureza, é desejável, mas a nossa cultura judaico-cristã, sempre viu o sexo com maus olhos. Nos últimos dois mil anos foi visto como algo abominável, a repressão sexual foi horrorosa”, apontou.
Sobre o tão alardeado amor romântico, Lins inicia sua crítica observando o caráter sub-humano que foi atribuído a mulher ao longo dos anos. “A mulher foi considerada incompetente e burra. O cavalheirismo é uma ideia péssima para as mulheres. Gentileza é outra coisa. O cavalheirismo implica sempre em o homem tratar a mulher como se ela fosse incompetente. Não tem sentido, se observarmos como a mulher foi considerada no passado, até hoje pessoas defenderem a ideia de que a mulher não pode puxar uma cadeira”, comparou a psicanalista.
Regina Navarro defende também que o amor romântico é baseado na idealização do outro, a invenção de uma pessoa, atribuindo a ela características que não tem. “Depois passa a vida ‘azucrinando’ o outro para mudar o jeito de ser, para se enquadrar naquilo que se imaginou.
Esse tipo de amor prega coisas mentirosas, como de que não existe desejo por mais ninguém, de que os amados vão se completar e nada mais vai faltar, que um terá todas as suas necessidades completadas pelo outro. É um amor prejudicial, o que critico é o que ele propõe. As pessoas só vão viver bem em um relacionamento se tiver a liberdade de ir e vir”, observou.
E sobre o ciúme? Para a psicanalista, aceitar o ciúme como algo natural é limitador para a vida. “Sofre o ciumento é quem é o alvo do ciúme. Eu nunca vi uma relação boa, quando as pessoas tem ciúme do outro. Na nossa cultura, aprendemos que quem ama sente ciúme, o que é um equivoco. Daqui a uns 30 ou 40 anos as relações serão muito mais frouxas, as pessoas não vão querer se fechar em uma relação a dois. Com o amor romântico saindo de cena, termina essa exclusividade que só se tem olhos para o outro”, prevê Lins.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Filmes Românticos Reforçam Expectativas Irreais, Segundo Pesquisa


A crença em conceitos como amor à primeira vista, par perfeito e forças do destino deixa as pessoas muito mais vulneráveis a se decepcionar em seus relacionamentos, garante o psicólogo Bjarne Holmes, da Universidade Heriot-Watt, na Escócia, autor de um estudo sobre a presença de ideias “perigosas” em filmes do gênero comédia romântica.
Ele e sua equipe exibiram a 100 voluntários o longa Escrito nas estrelas (2001), “um verdadeiro clássico água com açúcar”, segundo os pesquisadores, pois apresenta todos os elementos descritos acima.
Em seguida, Holmes pediu aos espectadores que respondessem a um questionário. Como era de esperar, eles revelaram mais afinidade com conceitos românticos do que outra centena de voluntários que assistiram, em uma sala paralela, a um drama do diretor David Lynch, repleto de personagens complexos e situações perturbadoras, como traição amorosa. A conclusão, afirma o psicólogo, é simples: filmes românticos reforçam expectativas irreais, o que aumenta as chances de insatisfação com os relacionamentos afetivos.

Fast Food pode Estimular a Agressividade


O consumo excessivo de alimentos industrializados, como biscoitos e comida congelada, pode, além de aumentar o risco de doenças cardiovasculares, nos deixar mais ansiosos e agressivos. Um estudo com 1.018 homens e mulheres jovens publicado na PLoS ONE mostra que a gordura trans, ou gordura hidrogenada, afeta o comportamento, pois prejudica a metabolização do ácido docosa-hexaenoico – ou DHA, ácido graxo do tipo ômega 3 –, que tem, segundo estudos anteriores, efeito calmante e antidepressivo.

Os voluntários do estudo preencheram questionários sobre seus hábitos alimentares e participaram de avaliações psicológicas que mediram seus níveis de impaciência, irritabilidade e agressividade. “Ácidos graxos trans foram mais indicativos de comportamento violento que alguns fatores de risco tradicionais, como baixo nível educacional ou uso de drogas”, diz a professora de medicina Beatrice Golomb, da Universidade da Califórnia em San Diego, autora do estudo. A relação entre agressividade e dieta rica em gordura trans se aplica a ambos os sexos e a diferentes etnias e classes sociais.
Embora a correlação exista, não há prova de que a gordura trans seja causa de comportamento violento. “É possível que pessoas naturalmente agressivas tendam a comer menos alimentos saudáveis”, cogita Beatrice. E, ainda, que outros ingredientes encontrados em comida processada, como o açúcar, possam estar envolvidos na tendência à irritação e à impaciência.

Até Ateus são ''Programados para Acreditar'' , diz Psicólogo Cético


A educação e o conhecimento científico ajudam "um pouco", mas ninguém escapa totalmente de se agarrar a crenças sem fundamento, inclusive as mais malucas.
Em essência, esse é o argumento de "Cérebro & Crença" (JSN Editora, 390 págs.), novo livro do psicólogo americano Michael Shermer, 57, cujo conteúdo ele resumiu ontem no ciclo de palestras Fronteiras do Pensamento, na capital paulista.

Colunista da revista "Scientific American", Shermer explora com habilidade como a evolução moldou a mente humana para achar padrões na natureza -inclusive criando "falsos positivos" com muita frequência.
Essa percepção é um dos achados importantes dos estudos recentes sobre a biologia da crença, um tema que, segundo ele, deve seu florescimento recente aos ataques de 11 de setembro de 2001.
"As pessoas viram que era preciso entender a religião e o poder que ela tem", afirma.
Shermer não se diz preocupado com o barulho que movimentos pseudocientíficos --como os criacionistas e os contrários à vacinação de crianças- têm feito nos EUA.
"Os exemplos que você cita têm basicamente motivação política e estão ligados à direita, mas a esquerda americana também tem seu lado anticientífico, como seu medo dos transgênicos", afirma.
"São ondas, que acabam passando. No caso dos céticos do clima, está durando mais do que eu imaginava, infelizmente", arremata.
Fonte: BOL Notícias

Casais da TV Podem Influenciar Relacionamento na Vida Real


Relaxar em frente à televisão e acompanhar tramas que envolvem relacionamentos amorosos pode não ser mero passatempo. Pesquisa realizada pela Faculdade Albion, em Michigan, nos Estados Unidos, aponta que o que se passa na tela pode influenciar como anda o romance na vida real. As informações são do Daily Mail.

Um estudo realizado com 392 pessoas, todas casadas, quis investigar a relação entre o tempo investido no acompanhamento de séries e novelas e o estado do relacionamento, incluindo os níveis de satisfação, expectativas e comprometimento.
O alerta vai para aqueles que 'vivem' o que se passa na ficção, se envolvendo nas histórias. Essas tendem a se comprometer menos com os parceiros de carne e osso.
Os que afirmaram acreditar nos modelos dos romances da TV se mostraram mais propensos a não investir no relacionamento, preferindo inclusive a vida de solteiro. Esses também foram os que mais enfatizaram que manter uma parceria significa comprometer a liberdade pessoal e tempo dedicado a si mesmo e os que mais apontaram as falhas da cara metade.
"O estudo mostrou que pessoas que acreditam em modelos irreais são menos comprometidas e que os correspondentes da ficção são mais atraentes. Vivemos em uma sociedade que se espelha em imagens da mídia, e a maioria das pessoas não percebe a real influência disso ", disse o psicólogo que conduziu a pesquisa, Jeremy Osborn.
Fonte: Terra Saúde

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Estudo Americano Liga "Sexting" a Comportamento Sexual de Risco entre Adolescentes



Uma pesquisa da Universidade do Sul da Califórnia mostra que adolescentes que praticam sexting – quando vídeos e imagens com conteúdo sexual vazam na internet ou via celulares – têm maior propensão a ter relações sexuais desprotegidas.

O estudo feito com 1.839 estudantes entre 12 e 18 anos indica que um em cada sete deles enviaram mensagens com conteúdo sexual explícito via celulares. Eric Rice, pesquisador-chefe do estudo da Universidade do Sul da Califórnia, disse ainda à "CNN" que os adolescentes praticantes de sexting são sete vezes mais propensos a ter uma vida sexual ativa do que aqueles que não enviam mensagens.
Além disso, o estudo mostra que entre os adolescentes praticantes de sexting, o comportamento de risco do ambiente digital acompanha o “da vida real”. Os adolescentes do sexting são cerca de 1,5 vezes mais propensos a não usar o preservativo quando têm relações sexuais do que os demais que participaram do estudo.
“Mesmo que uma minoria dos adolescentes enviem essas mensagens, essa minoria tem um comportamento sexual ‘offline’ tão arriscado quanto o digital”, disse Rice à “CNN”. Além do risco de contraírem doenças sexualmente transmissíveis, há ainda a chance maior de gravidez precoce, acrescentou o pesquisador.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Estudo Sugere que o Ambiente onde os Pequenos Vivem e a Educação que Recebem são Decisivos para Aperfeiçoar a Sociabiblidade


A recusa em emprestar brinquedos ou dividir alimentos pode resultar de conexões neurais imaturas. Um estudo publicado na revista Neuron revela que a interação de centros de controle de impulsos é mais frágil em crianças pequenas e tende a se intensificar com o passar dos anos, na mesma medida em que elas aprendem e colocam em prática estratégias sociais.

Cientistas do Instituto Max Planck de Ciências Cognitivas e do Cérebro, na Alemanha, observaram crianças de 6 a 10 anos e pré-adolescentes tomando decisões simples durante um jogo. Eles deviam dividir fichas que valiam pontos (e prêmios) com um receptor anônimo em duas situações: escolher aleatoriamente quanto ceder sem nenhuma consequência e correr o risco de ter sua oferta recusada se a outra criança a achasse injusta – nesse caso, nenhuma das duas ganharia nada. Ou seja, a segunda tarefa exigia maior habilidade social.
Todos os participantes se comportaram de forma semelhante na primeira situação. Na segunda, porém, os mais jovens fizeram ofertas piores e se revelaram mais propensos a aceitar poucas fichas mesmo percebendo que era injusto. Neuroimagens captadas durante o experimento revelaram menor atividade no córtex pré-frontal, centro de tomada de decisões e autocontrole, das crianças mais novas. Estudos anteriores apontaram que menor atividade nessa região está associada a habilidades sociais menos aprimoradas.
Os autores do estudo sugerem que o ambiente onde a criança vive e a educação que recebe podem ser decisivos para aperfeiçoar a sociabilidade e o controle de impulsos nesse período de amadurecimento neural.

Pessoas muito Preocupadas com o Salário podem se Tornar mais Insatisfeita


Tratar o tempo como mercadoria nos ajuda a desfrutá-lo melhor? Um estudo publicado no Journal of Experimental Social Psychology revela que não. Pesquisadores da Universidade de Toronto pediram a voluntários que calculassem quanto ganhavam por hora de trabalho antes de autorizá-los a navegar na internet por alguns minutos ou ouvir música até que fossem avisados de que o experimento tinha acabado. 


“Ao entrevistá-los depois do teste, observamos que ficaram mais impacientes e insatisfeitos em passar tempo fazendo o que bem entendessem do que voluntários que não calcularam seus ganhos”, diz Sanford DeVoe, um dos autores do estudo. Segundo ele, a máxima “tempo é dinheiro”, eternizada pelo pensador Benjamin Franklin, pode até incentivar a produtividade, mas é aconselhável se esquecer dela pelo menos quando estivermos de folga.

A Contribuição do Professor de Educação Infantil para o Pensamento Criativo


Por: Tereza Dilma Fireman
Cursei psicologia em Maceió no CESMAC – Centro de Estudo Superior de Maceió – fiz formação em psicologia clínica e escolar. Vim para o Rio de Janeiro, fiz concurso para a Prefeitura de Caxias e passei em quinto lugar.
Ao entrar na escola, me interessei em fazer um trabalho em que usava contos de fadas para estimular o pensamento criativo das crianças. Observei que quando lemos um livro costumamos idealizar a descrição do autor acerca daquilo que está sendo narrado. Idealizamos o rosto do personagem, a roupa, a cena, a paisagem, conforme a nossa imaginação. Constatei isso ao ouvir certas pessoas dizerem que o filme que assistiram não fora igual ao livro que haviam lido.
Foi através da leitura do livro “Psicanálise dos Contos de Fadas”, de Bruno Bettehein (1996), que fala da importância dos contos de fadas para a criança, é que resolvi abraçar a idéia da contribuição do professor de educação infantil no pensamento criativo da criança. Então, elaborei um projeto de contação de estórias em sala de aula nas escolas municipais de Duque de Caxias, onde tenho trabalhado. Contava o conto de fadas sem mostrar a gravura e, depois, pedia às crianças que recontassem a estória. Todos contavam colocando mais ênfase em episódios diferentes, bem como davam um detalhe maior ou menor nas cenas escolhidas. Após ouvir as narrativas, pedia para desenharem a estória e todos faziam do seu jeito, usando a sua criatividade através do desenho.
No final de cada mês, era realizado o concurso dos melhores desenhos. E as crianças eram as próprias julgadoras. Uma professora e eu tomávamos o cuidado para que os alunos não vissem seus nomes ou o nome dos colegas no desenho. E também conscientizávamos a todas elas que todos eram capazes de desenhar. Realmente todas as crianças eram estimuladas para desenvolverem sua capacidade criadora. No dia da premiação também levávamos as crianças a notarem as melhorias no desenho através dos desenhos anteriores expostos na parede da sala. Todos se gratificavam com as melhorias dos desenhos e, assim, ninguém ficava chateado por não ter recebido naquele mês a medalha do projeto. Até as crianças que no início diziam que não sabiam fazer sem ver a gravura, passaram a fazê-lo e ficaram gratificados com a sua conquista.
Todos mudaram a maneira de desenhar e foram reconhecidos pelos colegas e pelos pais também, que viam as melhorias de seus filhos quando iam buscar as pastas de desenhos. Foi um projeto importante para essas crianças. Alguns desses alunos moram na mesma rua onde resido e me param para falar que ainda têm a medalha. Compreendi que com esse trabalho também despertava na criança o gosto pela leitura e escrita.
Quando comecei a fazer essa pós-graduação em Educação Infantil, resolvi me aperfeiçoar no assunto, porque acredito na imaginação como instrumento imprescindível para as grandes mudanças da humanidade. Acredito que só se inventa algo se existir o pensamento criativo, que todas as grandes invenções de homem só puderam surgir através do pensamento criativo.
insight só ocorre quando não há por parte do pensante uma idéia preconcebida, mas sim criativa. Acredito que creche e pré-escola podem, na figura do professor, estimular o pensamento criativo.
Acredito que o professor pode auxiliar o processo de desenvolvimento do pensamento criativo na criança. Atualmente,trabalhando em creche, estou podendo acompanhar mais amiúde o desenvolvimento do pensamento criativo através da arte, da oralidade, da resolução de problemas e do lúdico.
Nesse trabalho de pós-graduação em Educação Infantil, pretendo ressaltar a importância da contribuição do professor para o pensamento criativo, por conseguinte, localizar o desenvolvimento criador na criança em fase inicial da educação. É lamentável que só se pense na arte como caminho para desencadear o pensamento criativo, pois este se manifesta em qualquer área do conhecimento e em qualquer situação problema. Basta que haja condições favoráveis para que ocorra o pensamento criativo. Ademais, na própria vida temos experiência e situações nas quais temos que ser flexíveis para achar a solução do problema. Quando somos flexíveis, conseguimos enfrentar muitas situações que, às vezes, se apresentam sem saída. Eu, por exemplo, consegui acomodar meus móveis em minha casa – que por sinal é muito pequena – usando como instrumento de medição minha bengala longa (sou deficiente visual). O marceneiro que veio montar os móveis do quarto achou que eles não caberiam nos lugares por mim indicados. Deixei-o arrumá-los conforme ele pensava ser ideal – em vão, porque as portas do guarda-roupa e as gavetas das camas não ficavam abertas. Sendo assim, o marceneiro resolveu acatar minhas orientações.
É preciso selecionar as idéias e memorizá-las, pois elas não surgem do nada, como reforça Piletti (2003): “o ato criador é resultado de muito trabalho, de muito esforço” (p.107).
O pensamento criativo está relacionado a idéias originais, sendo a flexibilidade uma das características das pessoas criativas. De acordo com Alencar (1990), “flexibilidade pessoal e abertura à experiência. Estes são traços fundamentais que facilitam ao indivíduo reformular julgamentos ou idéias previamente formuladas a respeito de algo” (p.35).
O ser humano é criativo se for estimulado e o professor tem papel fundamental nesse processo, na análise das seguintes situações educativas: a criança aprende a nomear as cores de uma maneira mecânica, ou seja, o professor mostra a cor laranja e passa exercício para que a informação seja apreendida. Seria mais prazeroso se, trabalhando com tintas, a criança descobrisse que a cor laranja é oriunda das cores amarela e vermelha. Ou ainda, ao invés de ficar vendo a figura do sistema respiratório no livro, construísse um, por exemplo, de sucata. O seu entendimento sobre o corpo humano seria maior e com certeza o nosso jovem cuidaria melhor de sua saúde. É lamentável que o professor não perceba isso; recordo-me que já fizemos, a orientadora pedagógica da escola Itaboraí e eu, um grupo de estudos onde mostrávamos o funcionamento dos pulmões construindo-os com sucatas. Todos os professores acharam interessante, mas não levaram o projeto para seus alunos, porque consideraram que seria inviável para sala de aula.
Acredito que é de fundamental importância que se favoreça o pensamento criativo como já fazem alguns países, como ressalta Alencar (ibidem):
(...) observa-se também que a importância de se cultivar a imaginação e a atividade criadora na escola, através de um ensino orientado para a solução de problemas novos e para a preparação do aluno para a produção do conhecimento, tem sido ressaltada em publicações de diferentes países, notadamente da União Soviética, Estados Unidos, Israel, entre outros. (p.14)

1. Conceituação de Pensamento Criativo

O pensamento criativo é formado por idéias originais, isto é, que não repetem modelos preexistentes, que surgem no trabalho, no dia-a-dia, em trabalhos artísticos, enfim: em todas as áreas do conhecimento.
Segundo o autor Nelson Piletti (2003),
O pensamento criador caracteriza-se por ser exploratório, por aventurar-se, por buscar o desconhecido, o risco, a incerteza. Já o pensamento não criador é mais cauteloso, mais metódico, mais organizado, mais conservador. Prefere o que já existe ao novo. (p.107)
E a autora Eunice Soriano de Alencar (1990), atribui as seguintes características ao pensamento criativo:
FLUÊNCIA – abundância ou quantidade de idéias diferentes sobre um mesmo assunto.
FLEXIBILIDADE – capacidade de alterar o pensamento ou conceber diferentes categorias de respostas.
ORIGINALIDADE – respostas infreqüentes ou incomuns.
ELABORAÇÃO – quantidade de detalhes presentes em uma idéia.
AVALIAÇÃO – processo de decisão, julgamento e seleção de uma ou mais idéias dentre um grupo maior de idéias apresentadas anteriormente. (p. 29)
Vejamos um exemplo de uma situação problema: quando comprei um microondas, me deparei com um problema: como manuseá-lo, se suas teclas são digitais e não apresentam relevo para que eu possa sentir pelo tato? Vi-me estimulada a buscar uma solução e então me veio a feliz idéia de marcar as teclas do aparelho com esparadrapo para poder usar o microondas. Para que o pensamento criativo aconteça, é preciso que haja um motivo, uma busca de conhecimento para poder dar uma forma à idéia que o sujeito pretende materializar, como fala Ostrower (1977):
Por ser o imaginar um pensar específico sobre um fazer concreto, isto é, voltado para a materialidade de um fazer, não há de se ver o ‘concreto’ como limitado, menos imaginativo ou talvez não-criativo. Pelo contrário, o pensar só poderá tornar-se imaginativo através da concretização de uma matéria, sem o que não passaria de um divagar descompromissado, sem rumo e sem finalidade. Nunca chegaria a ser um imaginar criativo. (p.32)
Nossas idéias sofrem influência do meio social, cultural e político, como afirma o autor M.J.Stein, citado por Alencar (1990):
Estimular a criatividade envolve não apenas estimular o indivíduo, mas também afetar o seu ambiente social e as pessoas que nele vivem. Se aqueles que circundam o indivíduo não valorizam a criatividade, não oferecem o ambiente de apoio necessário, não aceitam o trabalho criativo quando este é apresentado, então é possível que os esforços criativos do indivíduo encontrem obstáculos sérios, senão intransponíveis. (STEIN apud ALENCAR, p.26-27)
Com essas palavras, parece-me claro o papel do profissional de Educação Infantil na estimulação do pensamento criativo, bem como no incentivo à fantasia, à criação de brinquedos, de estórias, de jogos, de criações artísticas, e no aproveitamento dos questionamentos da criança para promover o gosto pela pesquisa e resoluções de problemas. É primordial que o professor valorize a produção da criança, inclusive as garatujas, porque elas significam, juntamente com sua fala, a expressão de sua criatividade, conforme explicam Lowenfeld e Brittain (1970):
Quando a criança atribui nomes às suas garatujas, sua originalidade e criatividade ficam, principalmente, em evidência. Desenvolverá seus próprios interesses e não precisará ser motivada. Isto não implica, de modo algum, que a criança talentosa não seja influenciada pelas coisas à sua volta. Por isto, o aluno dotado de capacidade criadora é o que desfruta e obtém prazer de sua própria criatividade, independentemente da contínua aprovação do professor. Como as garatujas são o princípio da expressão criativa, é particularmente importante, nessa época, conferir à criança independência e responsabilidade em seu próprio trabalho. Na realidade, cada criança deveria ser automotivada para expressar-se e sentir satisfação com o processo. É triste, mas verdadeiro, que os projetos planejados para a criança que garatuja chegam a abalar sua confiança: projetos que desenvolvem a dependência do adulto, projetos demasiado difíceis para que a criança possa executá-los sozinha, projetos concebidos por e para adultos. (p.132-133)
Para se criar o texto de uma canção, nem sempre é preciso entender de teoria musical. Cartola, por exemplo, criou excelentes letras de samba sem ter esse conhecimento. Mas sua criatividade para compor conferiu-lhe o título de um dos melhores autores de samba. Outro bom exemplo de criatividade é Alberto Santos Dumont, que criou o relógio de pulso porque achou mais prático para consultar a hora, do que os antigos relógios de bolso. Esses dois homens, que atuaram em áreas diferentes, percebiam e interagiam com o mundo de forma original e criativa. E provam que o pensamento criativo está presente em todas as áreas do conhecimento humano, como afirma Piletti (2003):
Os estudiosos da criatividade parecem concordar em que há algumas condições que favorecem a criação, em qualquer campo: receptividade às novas idéias, dedicação total ao trabalho, estímulo à imaginação, interrogação constante a respeito de fatos que parecem certos. (p.110)
Criamos novas idéias porque percebemos o mundo e nos tornamos sensíveis àquilo que percebemos. Criamos e materializamos nossas idéias porque as selecionamos, as memorizamos e damos formas a elas. Ou como expõe Ostrower (1977):
Criar é basicamente formar. É dar uma forma a fenômenos que foram relacionados de modo novo e compreendidos em termos novos. Nas perguntas que o homem faz sobre o mundo e nas soluções que encontra, nas suas ações bem como na própria experiência do viver, o homem sempre forma. (p.11)
O pensamento criativo ocorre em etapas, porém essas não se dão numa seqüência rígida, pelo contrário, a ordem dessas etapas é flexível. E segundo Piletti (2003), elas podem ser definidas assim:
Fases da criatividade: o processo criador é único e complexo, mas para fins de estudo, podemos identificar no ato criador cinco fases: primeira apreensão, preparação, incubação, iluminação e verificação.
Primeira apreensão: O momento criativo só acontece depois de longa preparação. Você está enganado se pensar que o cientista ou o artista criam facilmente, de um momento para outro. O ato criador é resultado de muito trabalho, de muito esforço. O primeiro passo desse trabalho é o surgimento de uma idéia ou de um problema a ser resolvido. Isso pode acontecer em situações as mais diversas: um sonho, uma conversa, um acidente, uma notícia, uma briga, um fato pitoresco, um fenômeno da natureza, etc.
Preparação: Consiste num trabalho sistemático de coleta de informações relacionadas à idéia original. Convém organizar as informações de tal forma que possam ser utilizadas quando necessário: você pode fazer um fichário, anotar suas observações num caderno, gravar entrevistas com pessoas especializadas, etc.
Incubação: A preparação é trabalho consciente. A incubação é trabalho inconsciente. Períodos de preparação e incubação podem alternar-se no mesmo ato criador. A incubação consiste naquela fase em que a pessoa deixa de lado as informações colhidas, dedica-se a outras atividades, parece esquecer seu trabalho. Nessa fase, o inconsciente realiza associações, organiza idéias, trabalha sobre as questões levantadas, a partir das informações colhidas.
Iluminação: É o momento culminante do processo criativo, quando, subitamente, aparece a solução do problema: Newton, depois de muitos anos de trabalho, descobriu a lei da gravidade em seu jardim, ao ver uma maçã cair da macieira. Darwin, após muitos anos de coleta de dados e de trabalho, encontrou a solução para a teoria da evolução quando estava andando de carruagem, num determinado lugar da estrada. A iluminação resulta de um trabalho do inconsciente, não se pode prever o momento em que aparece, nem provocá-la diretamente. É possível, entretanto, criar condições favoráveis a seu surgimento. Essas condições podem ser, por exemplo, um ambiente silencioso e bem iluminado, o hábito de escrever de madrugada, a possibilidade de dar longas caminhadas, e assim por diante.
Verificação: Esta é a última fase. O criador tenta dar forma final à inspiração que teve. Pode conseguir fazê-lo ou não. Caso não consiga, convém abandonar a primeira apreensão e procurar uma nova idéia, recomeçando o processo. Muitas vezes, após o momento de inspiração ou iluminação, a etapa chamada verificação pode durar anos. Newton e Darwin, por exemplo, após a inspiração surgida num preciso momento, levaram anos elaborando e revendo seguidas vezes suas teorias.
Em síntese, uma idéia criativa é resultado de trabalho. Quando temos uma idéia original, a temos por razões internas e externas. De acordo com Ostrower (1977):
O potencial criador elabora-se nos múltiplos níveis do ser sensível cultural-consciente do homem, e se faz presente nos múltiplos caminhos em que o homem procura captar e configurar as realidades da vida. Os caminhos podem cristalizar-se e as vivências podem integrar-se em formas de comunicação, em ordenações concluídas, mas a criatividade como potência se refaz sempre. A produtividade do homem, em vez de se esgotar, liberando-se, se amplia. (p.27)
Citarei novamente Alberto Santos Dumont como exemplo de uma pessoa extremamente criativa. Quando visitei sua casa em Petrópolis, muito me chamou a atenção a escada – como ele era uma pessoa criativa, elaborou uma escada onde o primeiro passo deve ser dado com o pé direito. E em seu banheiro, mais precisamente no Box, há um balde amarrado no cano de onde sai água, porém o balde encontra-se com o fundo para baixo e todo furadinho. Ele criou o que chamamos hoje de chuveiro. A pessoas criativa, através de seus inventos, apresenta alguns traços de sua personalidade. E que traços são esses? Segundo Alencar (1990), podem ser definidos assim:
Autonomia (independência) – muitos foram os estudos biográficos que apresentaram a autonomia ou independência como característica presente em profissionais que se destacaram por seu desempenho superior em áreas diversas.
Flexibilidade pessoal e abertura à experiência – estes são traços fundamentais, que facilitam ao indivíduo reformular julgamentos ou idéias previamente formados a respeito de algo. Estes estão diretamente ligados ao interesse de experimentar e tentar novos métodos, novas soluções e respostas para os problemas e questões existentes e têm sido sistematicamente encontrados em inúmeros estudos biográficos, com amostras de profissionais que se destacam pela qualidade de sua produção.
Autoconfiança, iniciativa e persistência – estes são alguns traços que favorecem ao indivíduo correr os riscos necessários para se ir além do conhecido e persistir em direção aos objetivos almejados, o que se traduz em um intenso envolvimento e dedicação ao trabalho, que também é reflexo do alto nível de motivação intrínseca, característico de um indivíduo que está primariamente motivado a realizar uma dada tarefa norteada por seus próprios interesses, e satisfação centrada naquela atividade. Notam-se, também, entre indivíduos mais criativos do sexo masculino, alguns traços de personalidade tradicionalmente atribuídos a sujeitos do sexo feminino na sociedade ocidental, como sensibilidade, espontaneidade e intuição. Notadamente, a contribuição desta última nas descobertas e invenções tem sido amplamente documentada e divulgada, representando um papel importante, sobretudo nas descobertas acidentais.
A sensibilidade emocional é também apontada como um atributo de valor, não apenas para o artista, mas também para o cientista. Beveridge (1988) comenta, por exemplo:
O grande cientista deve ser visto como um artista criativo, e é falso pensar no cientista como um homem que simplesmente segue as regras da lógica e do experimento. Alguns dos mestres da arte de pesquisa, exibiam também talentos artísticos em outras direções. Einstein tocava um instrumento musical, como também Max Planck, Pasteur e Bernard pintavam e escreviam peças. (BEVERIDGE apud ALENCAR, pp.36-37)
O professor deve estar atento para os traços de personalidade de seus alunos, evitando assim o desperdício da capacidade criadora. Cada criança é um ser singular, capaz de resolver situações problemas através da fantasia e das brincadeiras. Nessas atividades a criança manifesta seu potencial criador ou, como fala Vygotsky, citado por Oliveira (2007):
O jogo torna-se um laboratório para a criança, tal qual o cientista, pode inventar experiências para compreender a realidade, formulando hipóteses, testando-as e assim, aprendendo. Os jogos provocam e aguçam a curiosidade, propiciando que a criança seja protagonista de investigações autônomas acerca de suas próprias potencialidades. (VYGOTSKY apud OLIVEIRA, p.232)

2. Criatividade – A Diferença que Faz Diferença

A criança é um ser criativo; sua criatividade vai se tornando cada vez mais complexa. Segundo Ostrower (1977),
Mas, na verdade, aquilo que, pela opção e pelas conseqüências previsíveis, significa uma experiência audaciosa para nós, para a criança é apenas o vivenciar natural da situação, não é mais ousada do que muitas outras experiências que a nós passam despercebidas. Quando mudam os comportamentos da criança e mudam as formas de expressão, essa mudança formal não se deve a intenções estéticas. Deve-se ao processo de crescimento e de desenvolvimento da criança, às suas relações afetivas com ela mesma e com o mundo adulto, e à sua evolução para níveis de independência interior. Às idades subseqüentes, digamos aos 2, 4, 7, 10 anos de vida, normalmente correspondem modificações na forma expressiva. (p.127)
A criança vai expressando na arte, na fala (corporal, oral e escrita), com as suas experiências no mundo, vai formando sua personalidade – com o passar do tempo se realizando como pessoa. O fato de o homem atingir a maturidade não significa que sua criatividade se perca. O criar e o inventar não se esvaziam na maturidade. Segundo Ostrower (1977),
(...) a criatividade se realiza em conjunto com a realização da personalidade de um ser: da maturação como processo essencial para a criação. Colocamos tanto as premissas como também os critérios de criação em uma possível maturidade do homem. Com sua maturidade o ser humano criará espontaneamente, exercerá a criatividade como função global e expressiva da vida, e como medida de sua gratificação. (p. 130)
A maturidade não deve ser desperdiçada, deve ser entendida como valor. O homem criou a linguagem, a cultura, a história e através de sua memória – e dos conhecimentos de seus antepassados – foi assim que as sociedades foram construídas. E a maturidade foi importante nesse processo. Negá-lo é perder uma parte da história humana.
Cada um de nós criamos e inventamos dentro de um estilo pessoal. Segundo Ostrower (1977),
Um estilo não se adquire; não se troca de estilo como se troca de camisa. O estilo individual de uma pessoa corresponde a seu modo de ser, de viver, de conviver e de produzir. Corresponde a seu modo de dar e de se dar. Nem que se quisesse, seria possível trocar de estilo. Estilo é estilo de vida. É a essência de uma pessoa, sua integração, sua própria coerência interior. Dentro de um estilo o indivíduo desenvolve sua personalidade, se estrutura e estrutura sua obra. Dentro de seu estilo, pois, o indivíduo cria. Transformando-se quantas vezes for necessário, poderá renovar as formas e renovar a si próprio sem jamais se violentar. (p. 141)
A criatividade é uma capacidade humana que, aliada à inteligência, faz o homem ser diferente dos animais irracionais. Nós criamos o mundo e todos os dias construímos e reconstruímos o que absorvemos como sendo importante para nós. E a partir daí, o homem vai se superando na busca do seu autoconhecimento.
O Homem é um ser social, histórico e cultural, com estilo próprio de pensar, sonhar, imaginar, se comover, agir e reagir consciente ou inconsciente. Seus valores mudam de época para época e interferem na criatividade. Como afirma Ostrower (1977),
São as valorações da cultura em que vive o indivíduo, os chamados ‘valores de uma época’. Representam um padrão referencial básico para o indivíduo, que qualifica a própria experiência pessoal e tudo a que o indivíduo aspire ou o que faça, quer tenha ele consciência disso ou não. O indivíduo talvez discorde de certas aspirações formuladas pelo contexto cultural; mesmo assim, é desse contexto que ele partirá para a crítica. (p. 101)
Em cada contribuição original, o homem recorre a valores que fazem parte da cultura. Segundo a autora (1977),
O indivíduo pode descobrir no real novas realidades, cujos horizontes novos encerram a proposta de requalificação dos valores culturais. Todavia, em cada contribuição individual, por mais original que seja, será preciso recorrer aos esquemas valorativos vigentes no contexto cultural a fim de se poder acompanhar a extensão e o pleno significado da proposta nova. (Ibidem, p. 101)
O homem sempre parte do real quando resolve de forma criativa um problema. O homem imagina possibilidades para o futuro a partir do presente que está inserido na cultura e na história. Como afirma Ostrower (1977),
Pode-se dizer, de modo geral, que dos valores existentes em um contexto cultural não só decorrem certas possibilidades de indagação como também desses valores decorre a forma das perguntas. Conseqüentemente, a resposta que o indivíduo dará, se apóia nas mesmas possibilidades. Ao aprofundar certos conteúdos valorativos ou ao afirmar certas necessidades de vida que são negadas dentro do contexto cultural, as soluções criativas que o homem encontra, concretizam sempre uma extensão do real. Ainda que formulem caminhos utópicos, partem do real. Todos nós temos visões de um futuro para os nossos filhos. Entretanto, assim como o homem medieval jamais poderia ter imaginado o mundo espiritual do Renascimento nem o homem renascentista o nosso mundo, nós também só podemos imaginar significados futuros a partir das condições presentes. Mesmo que os significados reflitam anseios para uma nova humanidade, nova mentalidade de convívio do homem, em novas formas de realização e com valores novos, só pode colocá-los em nossos termos. (p.125)
Criar é um ato espontâneo, mas o ser humano é seletivo no aproveitamento de suas idéias, assim podemos dar asas à imaginação:
Na espontaneidade seletiva se fundamentam os comportamentos criativos. Poder responder de maneira espontânea aos acontecimentos significa dispormos de uma real abertura, sem rigidez ou preconceitos, ante o futuro imprevisível. Espontâneos, tornamo-nos flexíveis. Conseguimos adaptar-nos às contingências, reorientar as nossas atividades e os nossos interesses de acordo com novas necessidades contidas nas circunstâncias novas. (Ibidem, p. 148-149)
Quando criamos, delimitamos uma parte do todo.
Frente à realidade concreta e em qualquer situação de vida, o indivíduo é delimitado por uma série de fatores (de ordem material, ambiental, social, cultural, e de ordem interna vivencial, afetiva) que se combinam em múltiplos níveis intelectuais e emocionais, em parte tornando-se conhecidos, conscientes e em parte permanecendo desconhecidos, inconscientes. (...) Podemos responder à vida espontaneamente e em aberto porque a partir de nossa seletividade estruturamos a abertura à vida. Podemos estabelecer ordenações novas, dar forma aos fenômenos, dar significados, pois ao criar sempre delimitamos. (Ibidem, p. 149)
O ato de criar ocorre aliado ao nível de valores interiorizados. É a extensão do fazer humano.
Os processos criativos são processos construtivos globais. Envolvem a personalidade toda, o modo de a pessoa diferenciar-se dentro de si, de ordenar e relacionar-se em si e de relacionar-se com os outros. Criar é tanto estruturar quanto comunicar-se, é integrar significados e é transmiti-los. Ao criar, procuramos atingir uma realidade mais profunda do conhecimento das coisas. Ganhamos concomitantemente um sentimento de estruturação interior maior; sentimos que nos estamos desenvolvendo em algo de essencial para o nosso ser. Daí se torna tão importante, para o artista ou para qualquer pessoa sensível, saber do trabalho de outros, ter contato com seres criativos, não no sentido de uma rivalidade, mas no sentido de um crescimento interior que também em nós se realiza quando podemos acompanhar a realização de outro ser humano.

2.1. Contribuição do professor de Educação Infantil para o pensamento criativo da criança de 3 a 6 anos

A criatividade precisa de condições para se desenvolver. A escola, com seus objetivos a alcançar, ignora os fatores intrapessoais, interpessoais e sociais que têm um impacto significativo na produção criativa do indivíduo. Segundo Alencar e Fleith (2003),
A existência de condições, mais ou menos favoráveis ao desenvolvimento da criatividade, estaria também relacionada aos valores dominantes na família, aos traços de personalidade e interesses aí reforçados e cultivados. O que a escola propõe como objetivos a alcançar, em termos de aprendizagem e ensino, também poderá favorecer ou, pelo contrário, dificultar o desenvolvimento do potencial criador. Tanto fatores intrapessoais como interpessoais, tanto fatores individuais como sociais têm um impacto significativo na produção criativa do indivíduo e da sociedade. (p. 96)
Muitas idéias criativas foram criticadas, no entanto, hoje são de grande valia. Segundo Alencar e Fleith (2003),
(...) exemplos de resistência a novos produtos e descobertas são apresentados por Duailibi e Simonsen (1990) e ilustrados nas seguintes frases: “A teoria dos germes de Louis Pasteur é uma ridícula ficção” (Pierre Pochet, professor de Fisiologia em Toulose, 1872). “Quando a Exposição de Paris se encerrar, ninguém mais ouvirá falar em luz elétrica” (Erasmus Wilson, da Universidade de Oxford, 1879). “Recuso-me a acreditar que um submarino faça outra coisa além de afundar no mar e asfixiar sua tripulação” (H.G.Wells, escritor inglês, 1902).  (p.97)
A criatividade não é um atributo apenas do indivíduo, mas também de sistemas sociais que julgam a produção criativa do homem. De acordo com Czikszentmihalyi (1994),
(...) a criatividade não é um atributo do indivíduo, mas antes de sistemas sociais que fazem julgamentos sobre indivíduos, ressaltando de forma enfática que são as condições sociais e culturais em interação com as potencialidades do indivíduo que fazem emergir objetos e comportamentos a que denominamos criativos. (Czikszentmihalyi apud Alencar e Fleith, p. 98)
O contexto social pode facilitar o pensamento se tiver as seguintes características: aceitar as contribuições criativas do indivíduo e da criança, estimular a inovação e a exploração de idéias e garantir a concretização de novos produtos.
O momento de criação é resultante de complexas circunstâncias sociais. Como afirmam Alencar e Fleith (2003), “a criatividade não ocorre ao acaso, sendo antes profundamente influenciada por fatores ambientais, considerando os momentos de criação como resultantes de complexas circunstâncias sociais” (p. 98).
A criança necessita de um ambiente favorável para desenvolver a criatividade, pois está inserida em vários contextos sociais (família, escola, grupos de brincadeiras e instituições religiosas) que influenciam suas produções.
A sociedade pode oportunizar a criatividade em qualquer área. Encorajar experiências internas e externas e valorizar a mudança e a originalidade. No entanto, a sociedade que limita a liberdade das pessoas para estudar, trabalhar ou ter experiências diversas diminui a probabilidade da produção criativa. Segundo as autoras Alencar e Fleith (2003),
  • Uma sociedade favorece a criatividade à medida que dá chances ao indivíduo de ter experiência em inúmeras áreas. Uma sociedade que limita a liberdade da pessoa para estudar, trabalhar ou ter experiências diversas restringe suas oportunidades e, conseqüentemente, diminui a probabilidade de contribuições criativas.
  • Uma sociedade favorece a criatividade quando encoraja uma abertura a experiências internas e externas. Assim, uma sociedade na qual predomina “não faça isto”, “não tente aquilo”, restringe a liberdade de questionar e a autonomia necessária à criatividade.
  • Uma sociedade encoraja a criatividade valorizando a mudança e a originalidade.
  • A criatividade é encorajada em uma sociedade em que os indivíduos que se destacam por sua expressão criativa têm status e são reconhecidos socialmente. Nessa sociedade, esses indivíduos são encorajados em suas pesquisas e indagações, tornando-se modelos para as novas gerações.
  • Uma sociedade encoraja a criatividade na extensão em que as interações sociais, as oportunidades e os privilégios são determinados não pelo status social, família, raça, cor, credo ou partido político, mas antes pelas qualificações e atributos pessoais de cada um de seus membros.
  • Uma sociedade favorece a criatividade quando seus cidadãos têm liberdade e oportunidade para: estudar e preparar-se profissionalmente; explorar e questionar; expressar-se; e serem eles mesmos. (p. 100)
Muitos alunos não expressam suas idéias por medo de zombaria dos colegas ou de sofrer sanções do professor. Segundo Alentar e Fleith (2003), “muitos alunos deixam de demonstrar o que sabem ou se recusam a propor uma idéia original por medo das sanções do grupo de amigos ou de seus agentes socializadores” (p. 104).
A ênfase exagerada nas diferenças dos papéis sexuais também limita certas áreas do pensamento e de experiências, reduzindo desnecessariamente o potencial para criar e se expressar. Nas palavras de Alencar e Fleith (2003),
Certos traços de personalidade que se associam à criatividade (como espontaneidade, sensibilidade e intuição) são mais aceitos quando apresentados por pessoas do gênero feminino, enquanto outros são considerados mais adequados a indivíduos do gênero masculino (como iniciativa e independência). Certas áreas de interesse são consideradas tradicionalmente masculinas (ciências e matemática, por exemplo), enquanto outras são consideradas apropriadas para o gênero feminino. Essa divisão tende a limitar o comportamento exploratório e a bloquear o desenvolvimento em determinadas direções. (p. 104)
Citarei outras barreiras, segundo Alencar e Fleith (2003):
  • Inabilidade de relacionar o problema com a situação;
  • Dificuldade por parte do indivíduo em visualizar um objeto como tendo mais de uma função;
  • Dificuldade para reestruturar um problema, vendo-o sob um novo enfoque, dimensão ou ponto de vista;
  • Dificuldade para reformular um julgamento previamente formado a respeito de algo;
  • Ênfase exagerada nas formas tradicionais de fazer as coisas. (Ibidem, p. 105)
Barreiras emocionais que bloqueiam o pensamento criativo:
  • Negativismo, ou seja, dificuldade por parte do indivíduo em admitir sugestões ou considerar pontos de vista alheios.
  • Desconhecimento por parte do indivíduo de seus próprios recursos internos, potenciais e capacidades.
  • Medo do ridículo e da crítica.
  • Preferência por julgar idéias, em vez de gerar idéias. Observa-se uma tendência em se cultivar o julgamento e a crítica de idéias, em detrimento da elaboração de novas idéias. Esse aspecto é mais enfatizado em muitas instituições de ensino, onde o aluno é muitas vezes criticado por suas idéias, sem chances de aprimorá-las e testá-las.
  • Concepção que o indivíduo tem de si mesmo. Caso a pessoa se perceba como incapaz de ter muitas idéias ou como pouco criativa, seus pensamentos e ações serão orientados no sentido de confirmar esta auto-imagem.
  • Sentimentos de inferioridade. Estes podem contribuir para o bloqueio da expressão da criatividade pessoal, independentemente de terem estes sentimentos suas raízes em críticas recebidas ao próprio trabalho, fracassos anteriores ou falta de habilidades necessárias para realizar determinadas tarefas.
  • Ansiedade. Para que o indivíduo possa estar aberto às próprias idéias, é indispensável que os vários ruídos internos, como preocupações, ansiedades, medos, sejam também reduzidos ao mínimo. Sobre esse aspecto. Alamshad (1972:108) comenta: “Uma das condições para a criatividade é a receptividade, e nós não podemos estar receptivos a novas imagens e idéias, se estivermos perturbados pelas vozes da ansiedade e do medo”. A ansiedade leva ainda o indivíduo a agarrar-se à primeira resposta para um problema e a não tolerar situações ambíguas ou pouco estruturadas.
O professor tem que estar atento a estas barreiras e orientar a família de seus alunos e também suas próprias práticas em sala de aula.

2.2. A influência da família no desenvolvimento do potencial criador

 Sabe-se que o bebê mostra-se curioso e interessado no mundo que o rodeia. É um observador incansável. As primeiras manifestações fundamentais do pensamento criativo estariam relacionadas a esse comportamento manipulativo do bebê e o seu esforço em interpretar as expressões faciais e gestos daqueles que o rodeiam.
O jogo imaginativo ocorre dos 2 aos 6 anos de forma intensa. A criança faz de uma caixa um castelo, cria estórias e as dramatiza. Progressivamente com o desenvolvimento da razão e do raciocínio, sua imaginação vai declinando. A família contribui para isso à medida que critica, questiona e até pune a fantasia criativa. Alencar e Fleith (2003) sugerem os seguintes comportamentos para pais e professores:
(...) um relacionamento não possessivo pais-criança, no qual a independência da criança e sua autoconfiança são aspectos cultivados (Dewing e Taft, 1973); uma atitude mais permissiva, que também favorece a independência, aliada a uma estimulação dos interesses e do entusiasmo pela vida; a promoção de condições que permitam à criança ter uma abertura às próprias experiências e explorar seu mundo interior, com seus anseios, alegrias e temores (Getzels e Jackson, 1962); grau de rigidez ou flexibilidade dos pais em suas reações diante do desejo de uma criança de se engajar em atividades exploratórias (Tannenbaum, 1983). (p. 112)
A crítica e o autoritarismo prejudicam o pleno desenvolvimento do potencial criador, porque não favorece autoconfiança e o autoconceito positivo. A família deve incentivar a autonomia da criança. A creche e a escola devem ajudar na construção da autonomia do aluno. Por que na pré-escola as refeições vêm prontas no prato? Por que não ensinar as crianças a se servirem? Será mesmo que com o tempo as crianças não saberão o que devem comer? Se a criança pudesse opinar na quantidade de comida, o desperdício seria evitado.
Os pais e professores devem atuar como modelos de criatividade, ambos devem interagir e estimular a criança. Segundo Amabile apud Alencar e Fleith (2003), algumas atitudes dos pais (eu acrescentaria também dos professores) que favorecem a criatividade:
a)Respeitem e acreditem na capacidade de seus filhos; b) valorizem a liberdade de expressão e opinião; c) encorajem a independência e a iniciativa dos filhos, evitando estabelecer vínculos de total dependência emocional entre eles e sua prole; d) discutam valores e regras; e) valorizem comportamentos criativos; f) criem um ambiente familiar com descontração e humor; e g) atuem como modelos de criatividade para seus filhos. (p. 113)
A formação do autoconceito da criança tem início na família e cabe à escola atentar ao desenvolvimento desta característica, pois um autoconceito negativo prejudica o processo de ensino-aprendizagem e também a criatividade. Uma criança que internaliza que sua idéia parece maluca e sem sentido, será capaz de dar materialidade às idéias? É por isso que o professor tem que contribuir positivamente na formação do autoconceito do aluno, fazendo elogios, oportunizando a liberdade de expressão (oral, escrita e corporal) e estimulando a auto-confiança da criança.
Segundo Alencar e Fleith (2003),
É comum a criança ser ridicularizada e criticada ao emitir uma idéia original ou executar um trabalho (um desenho, por exemplo) diferente, naturalmente, daquele feito por um adulto. Quando solicita aos pais para realizar certas tarefas, é freqüente receber a resposta de que ela é muito nova, que não tem competência ou habilidade para tal. Quando tenta e é mal-sucedida, logo é criticada ou mesmo punida. Essa atitude crítica dos pais e, mais tarde, dos professores para com suas produções, respostas e idéias é internalizada pela criança e inibe sua capacidade de pensar e criar. (p. 118)
A família, muitas vezes, confunde a fantasia infantil com loucura. O professor deve ajudar os pais a entenderem a imaginação da criança. Nas palavras de Alencar e Fleith (2003),
(...) a criança circula por dois mundos: o mundo da magia, da fantasia, da imaginação e o mundo da realidade. Esse aspecto foi ressaltado por Fraiberg (1980), que considera os primeiros anos os anos mágicos, enfatizando que enquanto o adulto ou mesmo a criança mais velha ao acordar é capaz de dizer aliviado: “Isso é apenas um sonho”; no caso da mais nova o mundo da realidade não é ainda suficientemente forte, não sendo ela capaz de julgar e excluir determinados fenômenos do domínio do mundo real. Assim, às vezes, a criança convive perfeitamente com um amigo imaginário e faz referência a monstros e animais ferozes que a amedrontam no seu dia-a-dia. Lentamente, vai aprendendo a manter os limites entre a fantasia e a realidade. As incursões pelo mundo da fantasia têm, porém, seu lado positivo, pois torna mais fácil para ela suportar frustrações que vivem no seu mundo real, permitindo-lhe, também, a satisfação de desejos por meio de uma gratificação imaginária. (p. 119)
Podemos perceber, por tudo o que foi colocado, que o professor deve criar momentos em sala de aula que encorajem as crianças a criarem em muitas áreas do conhecimento humano, seguindo suas fantasias e idéias originais. E estar atento aos questionamentos infantis é o primeiro passo.

3. As Contribuições do Professor para o Pensamento Criativo

A seguir, algumas instruções para que o professor não julgue negativamente os trabalhos de seus alunos, pois as crianças sentiram-se tolhidas para criar numa atmosfera muito crítica. A escola impõe para os alunos que há uma única resposta certa. Modifique esse pensamento e procure aceitar as respostas dos alunos. Segundo Alencar e Fleith (2003),
(...) o pensamento criativo tem melhores condições de se desenvolver em uma atmosfera em que não haja crítica e o aluno não tenha expectativa de ser considerado ridículo. Alguns alunos darão respostas desconexas; outros, respostas irrelevantes; e outros, respostas críticas. Procure aceitar quaisquer tipos de respostas. Há evidências de que indivíduos altamente criativos apresentam, muitas vezes, respostas carregadas de humor. (p. 206-207)
Motive os alunos a escreverem sem se preocuparem com a gramática, porque criar e escrever só se sabe praticando. Pense nos grandes escritores, por exemplo: Rachel de Queiroz também escrevia errado quando pequena, por isso não se detenha nas falhas, na pontuação ou se a letra é feia ou bonita (os médicos têm uma letra terrível, mas isso não põe em risco sua competência profissional). Com a prática de criar textos, seus alunos acabarão por saber escrever. Dê tempo para o aluno criar. As autoras Alencar e Fleith (2003) afirmam que:
O pensamento criativo deve ocorrer com um mínimo de interrupções. Se um aluno cometer um erro, diga para riscar e continuar. Não é necessário dar ênfase à pontuação, à gramática, à letra bem-feita. Embora isso seja importante, não deve constituir fonte de preocupações ou distração quando os alunos estão procurando pensar. (p. 207)
Reforçando: o ambiente da sala de aula deve ser o mais agradável possível para que a criatividade possa fluir. Nas palavras de Alencar e Fleith (2003), “o pensamento criativo não ocorre no vácuo, mas desenvolve-se a partir de idéias, informações e fatos disponíveis (...) uma atmosfera tensa pode inibir o pensamento criativo” (p. 206).
O professor deve incentivar nos alunos a espontaneidade, a autonomia e a autoconfiança, pois assim ajudarão o pensamento criativo. No entanto, esses traços de personalidade são muitas vezes negados pelos professores, como afirmam Alencar 
e Fleith (2003):
De modo geral, os traços de personalidade que favorecem a expressão criadora, como espontaneidade, independência, autoconfiança, não são incentivados em sala de aula, uma vez que, na opinião de muitos professores, indivíduos com tais características perturbam o “bom andamento” da aula, tendem a dificultar a atividade dos professores e, conseqüentemente, constituem um obstáculo ao alcance dos objetivos educacionais mais voltados para a reprodução do conhecimento. (p. 211)
O potencial criativo deve ser estimulado desde a infância. A reflexão deve ser exercitada e o senso crítico trabalhado. Quando esses fatores são incentivados, a criança descobre novas formas de interagir no mundo. Segundo Novaes (1995):
O prazer de trabalhar e criar coisas novas por meio de seus próprios recursos leva a descobertas contínuas. Um trabalho voltado para o desenvolvimento do potencial criativo deve ser feito desde a infância, o exercício da reflexão e do senso crítico tem grande importância na descoberta no mundo em que se vive, de forma a não só enxergá-lo e aceitá-lo, e sim de avaliar, julgar e propor mudanças para sua construção. (NOVAES apud ALENCAR e FLEITH, p. 215)
Existe, segundo Piaget (1972),
(...) a possibilidade de se intermediar a construção, junto com o conhecimento, da criatividade nas crianças. Para isso, propunha três estratégias: a primeira consistindo de estímulo para que a criança pudesse trabalhar sozinha por algum tempo; a segunda, se fornece ajuda para que ela possa dispor de todas as informações possíveis sobre o objeto da criação pretendida; e a terceira, reconhecendo sempre em nós um “adversário”, crítico agudo que conduz ao aprimoramento. (p. 12)
O professor deve baixar o nível de ansiedade das crianças utilizando uma música de fundo suave e relaxante. Propiciar um clima de confiança para todos, afirmando que cada aluno é capaz de executar a tarefa proposta. Seja paciente com as dúvidas dos alunos e use um tom de voz baixo para explicar. Mantenha o bom humor e procure ouvir suas crianças com atenção, pois, segundo Antunes (2003),
(...) quando trabalhamos a criatividade dos alunos, é essencial que o passo inicial seja o de baixar os níveis de ansiedade, através da criação de um clima de confiança e serenidade onde se procura evitar, com todo empenho possível, os gritos, a voz elevada, a perda de controle, os estados de mau humor, impaciência e irritabilidade. Estas condições devem ser aplicadas sempre que possível, por educadores que sejam sempre bons ouvintes, parceiros atentos e que estejam interessados na evolução mental de seus alunos. Uma música suave embalando as relações ajuda bastante e é recurso sempre fácil e útil. (p. 19)
A criatividade não é um “talento” exclusivo de certas pessoas, mas está presente em toda a raça humana. Observe as brincadeiras infantis, repletas de potencial criador. Vygotsky atribuía à ação criadora ou não dos indivíduos a dois tipos simultâneos de impulso:
(...) o reprodutor ou reprodutivo e o combinador ou criador. O primeiro, estritamente vinculado à memória; e o segundo intimamente ligado à imaginação. Para ele, o jogo dramático infantil, desde que devidamente orientado pelo adulto, constitui importante área potencial do desenvolvimento criativo da criança. (VYGOTSKY apud ANTUNES, 2003, p.24)
Num primeiro momento, os alunos poderão apresentar o impulso reprodutivo por medo de críticas. Cabe ao professor propiciar base para que os alunos exponham de forma espontânea o impulso criador. Segundo Antunes (2003),
(...) a criatividade pode ser estimulada e todos quantos receberem esses estímulos apresentarão incontestáveis progressos na capacidade de criar, ainda que a natureza desses progressos varie bastante de uma para outra pessoa. (p. 25)
Provocar nos alunos uma tempestade de idéias e deixar que eles enfrentem situações inusitadas para que possam construir e reconstruir conceitos, pensamentos e o próprio mundo que os rodeiam. Ou nas palavras de Piaget,
(...) quando sugerimos um torvelinho de idéias novas e situações inusitadas, provocamos desequilíbrios mentais nos alunos e esses desequilíbrios necessitam de um trabalho de reorganização dos elementos em um novo sistema de relações, ampliando o âmbito do que antes se pensava. (...) a criatividade é sempre produto da abstração reflexiva e jamais da abstração empírica, pois, enquanto esta última se limita a captar de objetos, pessoas ou conceitos a compreensão passiva da realidade, a abstração reflexiva consiste em destacar das ações ou operações, novos aspectos para deles fazer elementos de uma construção nova, conferindo-lhes outra organização. (PIAGET apud ANTUNES, p. 30)
A criatividade não deve ficar restrita às aulas de artes, mas presente em todas as áreas, como afirma Antunes (2003):
Podemos, pois, afirmar que existem criatividades nas áreas lingüísticas, lógico-matemáticas, visual-espacial, sonora, cinestésico-corporal, naturalista, intra e interpessoal e que o educador – pai, mãe, avô, avó, professor, professora – pode provocá-las neste ou naquele espaço. (p.32)
O professor precisa estar atento porque as pessoas criativas revelam pontos em comum que, segundo Antunes (2003), são:
1. Mostram-se extremamente capazes e interessados em observar objetos, eventos ou fatos por ângulos inusitados. Compreendem e admitem rotina, mas possuem sempre outras alternativas para solucionar problemas, linhas de ação ou iniciativas a tentar;
2. Revelam verdadeira determinação na busca do que gostam e parecem apaixonados por seus objetivos. Ao contrário de alguns escritores ou mesmo compositores que são talentosos, mas têm preguiça de se empenhar e fazer, os alunos criativos parecem “jamais pensar em outra coisa” que o objeto de sua criação;
3. Revelam-se extremamente autoconfiantes nas coisas que fazem, chegando à ousadia de defender suas idéias, mesmo quando contrariam as normas vigentes. Muitas vezes inconstantes em sua capacidade de concentração para outros temas, mergulham com intensidade em suas obras;
4. Sobrepõem seus sonhos às conveniências de sua idade e de seu momento. Preferem mais dedicar-se ao que estão criando que a atividades e lazeres comuns à idade. Não há reuniões, festas, filmes ou programas que possam desviá-los do que executam ou sonham executar, mesmo quando cansados;
5. São muito bons em associações e, quando convidados a explicar ou simplesmente relatar um feito realizado ou atividade que assistiram, envolvem a narrativa em comparações, metáforas ou mesmo fantasias. Em síntese, contam o que sonham ou o que vêem sempre de uma maneira peculiar e inusitada, atribuindo-lhes uma significação nem sempre presente na maneira como originalmente foi essa idéia apresentada. (p.34-35)
Os pontos citados acima não têm correlação com sexo, raça, cultura, nível sócio-econômico ou de idade.
O professor pode organizar o cantinho da criação com materiais diversificados (sucata, papel colorido, lápis de cor e etc.). Não force o aluno a participar da atividade. Criar é um gesto consciente e espontâneo, não uma tortura. Uma constante vigilância sobre o trabalho da criança a inibe. Evite julgar o ato criativo e comparar os resultados dos alunos, não se torne escravo do resultado. Ame e respeite seu aluno por aquilo que ele é, e não pelo que você acredita que ele deveria ser. Crie uma rotina dinâmica e seja criativo no seu planejamento (visita locais históricos, áreas de preservação ambiental, galeria de artes, etc.) visando proporcionar aos alunos novas experiências.
A seguir, alguns procedimentos que ajudam os professores e também aos pais a estimular o potencial criativo, segundo Antunes (2003):
1. Anime a criança a rabiscar livremente e, sempre que possível, deixe à sua disposição, em lugar por ela mesma reservado, lápis pretos, lápis coloridos, giz de cera, folhas de papel e o que mais puder. Jamais force, mas desperte sua vontade com o elogio comedido, com entusiasmo por sua participação na gostosa atividade do desenho. Guarde suas “produções” organizando verdadeiro portfólio de tudo quanto apresenta. Ajude-a a “ver” as cores da natureza, transpondo a experiência visual para a construção pictográfica. Por exemplo: forneça-lhe um ramo de árvore e solicite que reproduza as cores da forma mais idêntica que seja possível.
2. Aplique, sempre que possível, o estímulo operatório que denominamos “jogando conversa”. Habitue-se a promovê-lo sempre que possível, ora para este ou aquele aluno em especial, ora para a classe inteira. Mude seus princípios, altere algumas interlocuções, invente perguntas criativas. O propósito dessa atividade é modificar o hábito da criança em responder monossilabicamente passando a um saudável e criativo procedimento indagador. Nunca demonstre afoiteza, não se deixe dominar por precipitações. Dê tempo para as respostas, jamais as antecipe. Se puder, grave a aplicação do jogo e, mais tarde, exiba essas gravações, analisando os momentos de criatividade mais explícitos neste ou naquele aluno;
3. Deixe a criança brincar muito e sempre e faça-a descobrir nela mesma uma “inventora” de brincadeiras. Pense que brincar para a mente humana é importante trabalho criativo e, dessa maneira, deve figurar na administração do tempo como momento importante. Criança atarefada em ter que fazer muitas coisas, com agenda lotada, estimulada em excesso, é criança estressada e anticriativa;
4. Quando possível, abra na escola ou em sua casa um espaço para a criatividade. Um cantinho sem censura, no qual a criança possa rabiscar, correr, pintar, pular, gritar. Ensine a ela que “terra não é sujeira” posto que da mesma vem a vida e o alimento que se consome. Se preferir, estabeleça que após a “hora da bagunça” possa vir a “hora da arrumação”, mas que esta seja complemento daquela e jamais o “preço” que se está pagando pela alegria de bagunçar. Providencie para este espaço produtos diversificados, como antes se disse, mas guardem alguns e os reponha de tempos em tempos. Perucas, roupas velhas, palavras escritas em cartões, símbolos matemáticos, porcas e parafusos e mais, muito mais, são admiráveis ferramentas para as extraordinárias árvores neurônicas em formação. (p.46-49)
O professor pode usar muitas estratégias para promover a criatividade em sala de aula. O autor Mihaly Csikszentmihaly (1999) sugere:
1- Proporcionar um momento de descontração física. Verdadeira sessão de “alongamentos” musculares, com o corpo, literalmente, relaxando-se e, em seguida, contraindo-se e dessa forma oxigenando a mente para a ação criadora. Na própria sala de aula, sentados em suas carteiras, os alunos podem receber a sugestão de apoiar suavemente as mãos nas pernas, retesa-las, contrair vigorosamente e sucessivamente a pelve, caixa toráxica, ombros, pescoço e maxilares, conservando essa tensão e a um só gesto, relaxando profundamente;
2- Promover descontração mental esvaziando o cérebro, através de um “sonhar de olhos abertos”. Thomas Edison, um dos mais extraordinários modelos de criatividade, afirmou que jamais seria capaz de inventar algo se antes de buscar soluções não pudesse sentar-se em uma cadeira, esticando os braços e segurando uma esfera metálica – que poderia ser uma bolinha de gude – em cada mão. Fechava os olhos, divagava com a mente solta e, quando sua vigília caía, a mão soltava a esfera, caracterizando o momento certo de descontração e da plenitude do ato criador. (Csikszentmihal, apud Antunes pp. 44-45)
O comportamento do professor, suas estratégias de ensino e as atividades que são desenvolvidas com as crianças são elementos fundamentais para o fortalecimento do potencial criativo. Alencar e Fleith (2003) propõem os seguintes pontos de apoio para promover e criatividade:
Comportamento do professor em sala de aula
  • Dar tempo ao aluno para pensar e desenvolver suas idéias.
  • Valorizar produtor e idéias criativas.
  • Considerar o erro uma etapa do processo de aprendizagem.
  • Estimular o aluno a imaginar outros pontos de vista.
  • Dar ao aluno oportunidade de escolha, levando em consideração seus interesses e suas habilidades.
  • Prover oportunidades para que os alunos se conscientizem de seu potencial criativo, favorecendo, dessa forma, o desenvolvimento de um autoconceito positivo.
  • Cultivar o senso de humor em sala de aula.
  • Ter expectativas positivas com relação ao desempenho da criança.
  • Criar um clima em sala de aula em que a experiência de aprendizagem seja prazerosa.
  • Não se deixar vencer pelas limitações do contexto em que se encontra.
Estratégias de ensino
  • Dar ao aluno feedback informativo.
  • Relacionar os objetivos do conteúdo às experiências dos alunos.
  • Variar as tarefas propostas aos alunos, às técnicas instrucionais e as formas de avaliação.
  • Criar um espaço para divulgação dos trabalhos dos alunos.
  • Oferecer aos alunos informações que sejam importantes, interessantes, significativas e conectadas entre si.
  • Compartilhar com os alunos experiências pessoais relacionadas ao tópico estudado.
  • Orientar o aluno a buscar informações adicionais sobre tópicos de seu interesse.
Atividades que...
  • Levem o aluno a produzir muitas idéias;
  • Envolvam análise crítica de um acontecimento;
  • Estimulem o aluno a levantar questões;
  • Levem o aluno a gerar múltiplas hipóteses;
  • Desenvolva no aluno a habilidade de explorar conseqüências para acontecimentos que poderão ocorrer no futuro;
(pp.141-142)
Citarei alguns exercícios que o autor Celso Antunes (2004) sugere para desenvolver o potencial criador. O professor também pode e deve criar seus próprios métodos para promover a criatividade.
Não Diga Não
O Não Diga Não é um dos jogos mais conhecidos e um dos mais imaginativos também. Seu objetivo é um contendor derrotar o outro, forçando-o, em um diálogo de dois a três minutos, a dizer a palavra Não.
Pode ter início com o diálogo entre o monitor e um jogador voluntário. Após a compreensão de suas regras, que são muitos simples, formarmos duplas para jogar. Pode-se, inclusive desenvolver uma competição eliminatória fazendo vencedores da primeira rodada enfrentarem vencedores da segunda, enquanto perdedores jogam contra perdedores. Um exemplo do diálogo seria o seguinte:
Monitor – Qual o seu nome?
Jogador – Paulo.
M. – Você é casado, Paulo?
J. – Sou solteiro
M. – Onde você mora?
J. – Moro em Santo Amaro.
M. – Mora com sua esposa?
J. – Moro com meus pais.
M. – Soube que você é um grande mentiroso. É verdade, Paulo?
J. – São intrigas de inimigos. Falo apenas a verdade...
E o jogo prossegue pelo tempo determinado, devendo o monitor distrair um pouco o jogador e, repentinamente, atirar-lhe uma pergunta que sabe ter resposta negativa. Se o jogador disser a palavra “Não” ou mesmo “Negativo”, perde o jogo.
Alfândega
Esta é uma modalidade de jogo também muito antiga e, como a Forca, também bastante conhecida ainda que, infelizmente, não usada com a sistemática implícita na ludopedagogia. O jogo pode ser desenvolvido individualmente, com cada jogador participando por si, em duplas ou em pequenas equipes.
O monitor esclarece que o objetivo de todos é passar pela alfândega. O jogo tem início quando um dos jogadores pergunta ao monitor se “com tal objetivo” passa ou não pela alfândega.
A resposta será “passa” se a pergunta fizer referência a algum objeto, letra ou idéia do monitor, que caberá aos jogadores descobrir. Por exemplo: o monitor, sem dizer nada a ninguém, pode imaginar: só vai passar nome de objeto que contiver a letra “R” ou, em outro caso: só passa objeto de madeira, e assim por diante. No primeiro caso, o jogador que perguntar se café passa, terá um “não” como resposta, pois “café” não tem a letra “R”. Cabe ao grupo descobrir qual a “chave” da alfândega, isto é, o critério imposto pelo monitor para um objeto passar ou não.
O jogo pode ser repetido muitas vezes e cabe ao monitor, com providenciar seu encerramento antes que se esgote o entusiasmo do grupo, para poder repeti-lo outras vezes. Em outras oportunidades, poderá ficar apenas como árbitro, colocando dois grupos em disputa, um sendo alfândega e outro tentando passar, depois revezando os grupos.
Transmissão
Este jogo é uma variação da técnica de sensibilização Quem Conta um Conto. Quatro componentes, voluntários ou escolhidos pelo monitor, retiram-se da sala, enquanto o grupo deve observar, com muita atenção, uma figura, um slide, um quadro mostrando paisagem ou algo análogo que lhe será exibido pelo monitor.
Um dos jogadores ausentes é então chamado e cabe a alguém do grupo, escolhido na hora pelo monitor, narrar a ilustração vista com o maior número de detalhes possível. O jogador que retornou chamará então mais um dos ausentes e passará ao mesmo, diante do grupo, as informações que ouviu e assim sucessivamente até o quarto jogador.
Concluída as transmissões, com inevitáveis mudanças em detalhes e até na estrutura na figura, o grupo deverá se reunir para debater as diferenças havidas e as causas dessa dificuldade de transmissão.
Outras técnicas de sensibilidade também se prestam a um jogo para desenvolver a criatividade. O jogo dos Quadrados ou mesmo os Quadrados Complicados são excelentes exercícios para a criatividade, assim também as estratégias de pensamento como Garrafas I e II e Blocos I e II.

4. Intervenção Pedagógica: Veredas da Imaginação

Justificativa:
O título veredas da imaginação se deve ao fato de que a criatividade humana está presente em todas as áreas do conhecimento. Estimular esta capacidade é papel da família e do professor de Educação Infantil. É por isso, que juntamente com a diretora Carmem Celma, tomei a iniciativa de implantar e operacionalizar essa intervenção pedagógica na creche irmão Sol e irmã Lua – pertencente à Ordem Terceira de São Francisco da penitência – onde trabalho e venho usando como estratégia as salas temáticas para desenvolver e fortalecer o potencia criativo das crianças.
Objetivo:
Incentivar e desenvolver a capacidade criadora das crianças através de situações problemas, da pintura, da dramatização de histórias, da oralidade e da expressão livre da imaginação.
Desenvolvimento:
As turmas do maternal I, Jardim I, Jardim II e Jardim III seguem um esquema de rodízio nas salas temáticas: cada turma passa quarenta minutos na sala.
A primeira sala denominada Mundo da Linguagem promove a oralidade, a expressão corporal e escrita.
A segunda sala é chamada de O Mundo da Arte, trabalhamos a pintura, a dobradura, recorte e colagem, música, dança, etc.
A terceira sala recebeu o nome Jogo da Vida porque desenvolve os conceitos matemáticos, as vivências da família e os valores sociais.
A quarta sala é da Imaginação onde as crianças podem criar objetos com sucatas, histórias e brincadeiras.
Estratégia:
Promover atividades diversificadas nas salas temáticas.
Materiais:
Lápis, lápis de cor, canetas hidrocor, tintas, cola branca e colorida, diversos tipos de papéis, cds de música infantil, popular e clássica, sucata, DVDs educativos, rádio, tesoura sem ponta e tintas.
Os materiais ficam expostos e ao alcance dos alunos.
Conclusão:
O projeto Vereda da Imaginação pretende estimular a capacidade criativa das crianças. Contamos com a contribuição do professor e da família, como afirma Alencar e Fleith (2003): “O desenvolvimento e a expressão da criatividade não dependem, somente dos esforços do individuo, sendo também de crucial importância o contexto social no qual se acha inserido”. (p.100)
Entendemos que se criarmos oportunidades para a criança expressar sua criatividade, ela será um adulto mais feliz, mais consciente de si e do seu papel no mundo, ou nas palavras de Ostrower (1977):
Crescer, realizar potencialidades, definir-nos em nós, conhecer-nos melhor, identificar-nos coerentemente, são anseios tão absolutos, tão claros e evidentes em si, que dispensam qualquer explicitação. E ninguém se admira das conseqüências trágicas da não-realização do homem dentro do que lhe seria possível: o vazio da vida, a apatia, a falta de respeito pelos outros (já que tampouco foi respeitado seu próprio potencial), e quando não pior, um revide violento e brutal contra si mesmo ou contra os outros) . (p.131)

Conclusão

Este trabalho tem como finalidade promover e incentivar o estudo da criatividade como elemento fundamental do processo de ensino-aprendizagem. O desenvolvimento do potencial criativo ajuda a resolver as situações problemas do dia-a-dia.
A família e a escola podem estimular a criatividade ainda na infância, segundo Alencar (2001):
Com relação à promoção da criatividade, gostaríamos de destacar que consideramos os anos de infância como muito importantes. É fundamental que, nesse período, condições estejam presentes no sentido de se ressaltar o que cada criança tem de melhor, identificando-se talentos, despertando-se interesses, reconhecendo-se potencialidades e cultivando-se traços de personalidade que favorecem o crescimento psicológico e uma boa qualidade de vida interior. (p.56)
Temos que rever o papel da escola e do professor como promotores da criatividade. Podemos começar pela arrumação da sala de aula, pela maneira de transmitir os temas do programa curricular e pela postura que é exigida dos alunos. Como afirma Alencar (2001).
É necessário repensar a educação no que diz respeito ao conteúdo e a forma como este vem sendo trabalhado (muito voltado para a reprodução e memorização). Sabe-se hoje que não basta o conhecimento: de fundamental importância é exercitar a capacidade de pensar, imaginar e criar. É preciso ampliar o leque de habilidades a serem estimuladas e acentuar a satisfação e prazer de aprender e criar. É necessário, também, reformular a imagem do aluno ideal – onde a obediência, a passividade e o conformismo ocupam um lugar central – para se incluir o compromisso, a dedicação, o entusiasmo, a iniciativa, a persistência, a capacidade de aprender com os próprios erros e a curiosidade; traços estes que contribuem de forma significativa para a busca de novas questões, para a interpretação de velhos problemas sob novos ângulos e para um melhor aproveitamento das capacidades criativas. (p.60)
Nossas crianças precisam sentir prazer em estar na creche e na escola, a educação tem que ser criativa e desafiadora para que os alunos aproveitem todos os conhecimentos que a instituição educacional agrega. É comum os alunos darem graças a Deus quando tem um feriado ou entram de férias. E o mesmo vale para o professor que sentem o trabalho como um peso, por estar muito atrelado a exigência do comprimento de extensos conteúdos.
O sistema educacional deve ser o professor e os alunos como seres pensantes. O primeiro é um facilitador do processo de aprendizagem e o segundo não é um ser sem luz. É por isso o potencial criativo deve ser explorado em todas as áreas do conhecimento. Como afirma Alencar (2001):
Para se promover a expressão criativa na escola, é necessário formar adequadamente os professores nesta área, com vistas a que eles utilizem atividades que possibilitem ao aluno exercitar o seu pensamento criativo, além de propiciar um clima em sala de aula que reflita valores fortes de apoio à criatividade. Um esforço neste sentido vem sendo feito por nós. (p.33)
A partir do que escrevi neste trabalho e da prática que venho desenvolvendo na creche Irmão Sol e Irmã Lua, espero contribuir para que cada vez mais a questão da criatividade aplicada à educação seja objeto de estudo e discussões de modo que, a educação não só no nível da creche e da pré escola, mais também nos outros níveis da escolaridade seja cada vez mais inovadora, desafiadora e que esteja permanentemente atenta as necessidades do ser humano. Lembrando, por fim, que o mercado de trabalho, nos dias atuais, exige profissionais com a capacidade de serem criativos e originais. E certamente as práticas escolares têm muito a contribuir neste sentido.