Desde os primórdios os seres humanos têm sido foco de estudo. Procura-se saber como eles nascem, crescem e se desenvolvem, considerando as mudanças que são próprias do desenvolvimento.
Todo indivíduo, desde o nascimento necessita ser cuidado, e isso acontece geralmente dentro de uma família. É dentro da família que ele se sentirá cuidado, amado, querido, por mais conflitos que enfrentem uma determinada família,é ali que começará seu desenvolvimento.
Soifer (1982, p. 23), define a família como:
[...] estrutura social básica, com entrejogo diferenciado de papéis, integrada por pessoas que convivem por tempo prolongado, em uma inter-relação recíproca com a cultura e a sociedade, dentro da qual se vai desenvolvendo a criatura humana, premida pela necessidade de limitar a situação narcísica e transformar-se em um adulto capaz [...]
A família é a responsável pela estruturação de cada indivíduo, onde ele nasce, cresce e se desenvolve psíquica e emocionalmente, formando sua identidade e personalidade, portanto, o objetivo da família é educar os filhos para a vida. Soifer (1982) ainda salienta que à medida que o desenvolvimento acontece, a criança aprende a respeitar, amar e ser solidária, em contraponto aprende a lidar com os sentimentos de ódio, inveja, rivalidades e ciúmes originados dos conflitos infantis, consolidando-se a identidade da família na sociedade. Durante o desenvolvimento são observadas algumas influências que podem definir a maneira de ser de cada indivíduo, construindo assim, sua identidade enquanto ser humano.
Segundo Winnicott (1988), um indivíduo começa a existir quando é concebido mentalmente, ou seja, quando os pais manifestam o desejo, não apenas consciente de conceber. A partir desse desejo pode-se dizer que a identidade começa a formar-se. A mãe é a primeira a introduzir a criança no mundo e através das sensações essa criança vai conhecendo o que a rodeia, tendo a possibilidade de relacionamento com os outros.
A partir do nascimento do bebê a ligação necessária ao desenvolvimento deste, pode ativar nos pais fantasias e desejos narcísicos advindos de conflitos não elaborados do passado destes. Muitas vezes as dificuldades na interação da mãe e seu bebê, podem ser indicativos destes problemas não elaborados. Quando estes conflitos inconscientes invadem o bebê ainda em formação, pode vir a comprometê-lo ou até mesmo impedi-lo de desenvolver-se para se tornar um indivíduo autônomo.
Dessa forma percebe-se o quanto a relação pais e filhos é importante, já no momento em que se deseja formar uma família. O bebê que é desejado e amado mesmo antes de ser concebido têm a possibilidade de construir sua identidade alicerçada numa relação de amor, proteção e compreensão. A proteção da família, o modo como o bebê é inserido no mundo pode revelar a qualidade dos relacionamentos estabelecidos dentro dessa família que podem ou não influenciar na formação da identidade cristã.
A identidade está ligada às características que compõem ou que são próprias de um indivíduo, é o que diferencia um indivíduo do outro, esta se baseia na construção do autoconhecimento e da relação com o mundo que o rodeia. A vida social é vivida de trocas que possibilita a constituição da identidade da criança e, à medida que ela se desenvolve vai se identificando com o meio para tornar-se uma pessoa. No primeiro momento a criança é pura sensação e se identifica com o seio da mãe, conforme cresce passa a reconhecer o ambiente e a mãe como alguém à parte dela.
Assim a noção de identidade sugere que o sujeito precisa de outro para se desenvolver, para adquirir atitudes, valores e princípios que vão norteá-lo em sua vida adulta e social e à medida que a criança cresce e se desenvolve ela vai se tornado uma pessoa diferenciada dos pais, adquirindo com a ajuda deles, certa autonomia, num processo de identificação (KUSNETZOFF, 1982).
De acordo com Papalia (2006) a adolescência é uma fase repleta de mudanças em que o pequeno jovem começa a descobrir quem é e o que quer ser. Para crescer e entrar no mundo dos adultos, o adolescente precisa, aos poucos, ir se separando dos pais o que, às vezes é insuportável para certos pais, pois estes deixam de ser as pessoas mais importantes do mundo para se tornarem “velhos caretas”. Nesse momento é comum que o adolescente busque grupos com os quais possa se identificar. Papalia (2006) explica a importância da influencia do grupo na vida dos adolescentes,
O grupo de amigos é uma importante fonte de apoio emocional durante a adolescência. Jovens que estão passando por rápidas transformações físicas sentem-se melhor na companhia de outros que estão passando por mudanças semelhantes. (PAPALIA, 2006 p. 500).
Mas isso não quer dizer que a família perdeu a importância na vida dele, pelo contrário é nessa fase que eles mais precisam do apoio da família, pois são os pais que dirão o que eles podem ou não fazer. Ferrari (2000) afirma:
“[...] é a família que propicia os aportes afetivos e sobretudo materiais necessários ao desenvolvimento e bem estar dos seus componentes. Ela desempenha um papel decisivo na educação formal e informal, é em seu espaço que são absorvidos os valores éticos e humanitários onde se aprofundam os laços de solidariedade. É também em seu interior que constroem as marcas entre as gerações e são observados valores culturais.” (apud GONÇALVES, 2001, p. 10).
Sendo assim, o bom relacionamento entre pais e filhos é fundamental para a formação de uma identidade saudável, mesmo que na fase da adolescência os ensinamentos dos pais pareçam não ter importância para eles, nesse sentido é preciso que os pais os compreendam. Os pais que transmitem afeto, atenção e orientação, respeitando as escolhas do filho, estarão reforçando sua auto-estima, fazendo com que se sintam valorizados e seguros para enfrentar os desafios do mundo real.
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